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No Planalto, caminhoneiros recebidos por Bolsonaro dizem que só destravam vias se pauta anti-STF avançar

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Caminhoneiros que estiveram com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disseram nesta quinta-feira (9) que só desmobilizam atos de raiz golpista e paralisações em rodovias se avançar a pauta anti-STF (Supremo Tribunal Federal).

Ao lado de deputados bolsonaristas no Palácio do Planalto, dois caminhoneiros que se identificaram como Francisco Dalmora Burgardt —"Chicão caminhoneiro" — e Cleomar José Immich negaram que Bolsonaro tenha pedido o fim das manifestações.

O presidente, no entanto, divulgou áudio na quarta-feira (8) pedindo que caminhoneiros alinhados ao governo liberem as rodovias bloqueadas.

Questionados sobre quando encerram as manifestações, Burgardt condicionou a retirada dos caminhões das estradas a uma reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para tratar da atuação do Supremo.

Caminhoneiros bloqueiam diversos pontos de rodovias em protestos feitos após o 7 de Setembro. Também estão acampados e com caminhões estacionados na Esplanada dos Ministérios.

No áudio aos caminhoneiros, Bolsonaro pediu para as paralisações terminarem. "Fala para os caminhoneiros aí que [eles] são nossos aliados, mas esses bloqueios aí atrapalham a nossa economia. Isso provoca desabastecimento, inflação, prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Então, dá um toque nos caras aí, se for possível, para liberar, tá ok? Para a gente seguir a normalidade", disse o presidente.

Os caminhoneiros não deram detalhes se a ideia é pedir o impeachment de algum ministro específico ou até a destituição de toda a Corte, como pediam alguns manifestantes pró-Bolsonaro no feriado de 7 de Setembro.

Burgardt afirmou que as reivindicações ainda estão sendo elaboradas, mas que não incluem discussões sobre o preço do combustível.

“Permanecemos no aguardo de ser recebido pelo mesmo [Rodrigo Pacheco] e talvez exista alguma questão com relação a quanto tempo vai durar. Eu já antecipo para os senhores: estamos aguardando ser recebidos pelo senador Rodrigo Pacheco. Até que isso seja realizado, nós estamos mobilizados em todo o Brasil", disse o Burgardt.

"Bolsonaro não nos pediu nada", disse ainda o mesmo caminhoneiro. "Como nós estamos mobilizados aqui, aproveitamos a oportunidade para estar com o presidente, que, diga-se de passagem, foi muito cordial", completou.

Os caminhoneiros disseram que não representam entidades e são autônomos. Burgardt perdeu as eleições de 2020 a vereador em Canoinhas (SC) pelo PRTB, o mesmo partido do vice presidente Hamilton Mourão.

Os caminhoneiros haviam sido recebidos pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Havia expectativa de que o ministro falasse à imprensa sobre o encontro, mas os deputados Bibo Nunes (PSL-RS), Carla Zambelli (PSL-SP) e Major Vítor Hugo (PSL-GO) foram escalados.

Zambelli disse que o presidente não tem controle sobre as manifestações. Segundo a deputada, o Bolsonaro mostrou na reunião preocupação com os "mais vulneráveis" por causa das paralisações.

"Aquilo que vocês ouviram no áudio de ontem e que o Tarcísio soltou no vídeo não mudou nada. Não cabe ao presidente decidir o que eles fazem", disse Zambelli.

Os deputados também anunciaram que vão apresentar habeas corpus contra a prisão do caminhoneiro Zé Trovão, que estava foragido e disse, em vídeo, foi localizado pela Polícia Federal no México nesta quinta (9).

"Nossa pauta é contra o STF. Não diria assim contra. Queremos que todos os poderes políticos trabalhem dentro da Constituição. É só isso", afirmou o caminhoneiro Immich.

Aliados do presidente temem que as manifestações de caminhoneiros nas estradas em apoio a Bolsonaro prejudiquem o governo caso os efeitos econômicos da paralisação se espalhem. Em algumas cidades, já há relatos de falta de combustíveis.

Caminhoneiros realizaram nesta quarta paralisações em trechos de rodovias em ao menos 15 estados. Sem apoio formal de entidades da categoria, os motoristas são alinhados politicamente ao governo ou ligados ao agronegócio.

Parte dos manifestantes segue a pauta dos protestos liderados por Bolsonaro na última terça-feira (7), com ataques ao STF e pressões pela destituição de ministros da corte.

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