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No Dia do Amigo, relembre 5 ex-aliados de Jair Bolsonaro

João Conrado Kneipp
·6 minuto de leitura
Brazil's President Jair Bolsonaro flashes a heart-hand symbol during a ceremony marking Brazilian Army Day, in Brasilia, Brazil, Wednesday, April 17, 2019. (AP Photo/Eraldo Peres)
Brazil's President Jair Bolsonaro flashes a heart-hand symbol during a ceremony marking Brazilian Army Day, in Brasilia, Brazil, Wednesday, April 17, 2019. (AP Photo/Eraldo Peres)

O Dia do Amigo é celebrado em alguns lugares do Brasil no dia 20 de Julho, e no caso de 2020, cai nesta segunda-feira. A explicação para escolha da data se deve à chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969, quando o filósofo e professor argentino Enrique Ernesto Febbraro viu a conquista como “uma oportunidade de se fazer amigos em outra parte do universo”.

A ideia foi chegar no Brasil somente nos anos 90 e ganhou força em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o Dia do Amigo em 20 de Julho chega a integrar os calendários oficiais de comemorações estaduais.

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“A amizade entre duas ou mais pessoas supõe natural bondade, que se manifesta no particular apego que as pessoas têm entre si. Enfim, a amizade é um sentimento duradouro”, justificou o ex-deputado estadual Caldini Crespo ao propor a criação da data na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

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OS CINCO EX-ALIADOS DE BOLSONARO

O “sentimento duradouro” descrito pelo ex-parlamentar para justificar o Dia do Amigo parece não ser o forte de algumas relação de amizade do presidente Jair Bolsonaro. Para celebrar a data, o Yahoo Notícias relembra 5 pessoas que já estiveram na linha de frente do bolsonarismo e hoje são consideradas ‘personas non gratas’.

  • Sergio Moro

Brazilian President Jair Bolsonaro (R) and his Minister of Justice and Public Security Sergio Moro shake hands during the launching ceremony of the Front Brazil Project, which aims at reducing the rates of violence in cities, at Planalto Palace in Brasilia, on August 29, 2019. (Photo by EVARISTO SA / AFP)        (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Moro saiu deixando uma polêmica e um inquérito do STF para o governo Bolsonaro. (Foto: EVARISTO SA/AFP)

O ex-chefe da pasta Justiça e Segurança Pública já foi o “homem-forte” do governo Bolsonaro e apontado em pesquisas feitas durante 2019 como o mais popular entre dos ministros. Tão forte quanto sua chegada à Esplanada, chancelada por seu trabalho na operação Lava Jato, foi sua saída do governo.

Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF (Polícia Federal), o que rendeu um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a tutela de Celso de Melo, para investigar a procedência da denúncia.

Após sua queda, o ex-juiz ganhou a pecha de “traidor” entre os bolsonaristas e o próprio Bolsonaro já se referiu a ele como “covarde” e deu “graças a Deus” por Moro ter deixado sua equipe. O ex-ministro segue como colunista, uma vez que está impedido por 6 meses de assumir novas funções públicas.

  • Luciano Bivar

Bolsonaro e Bivar, em 2018. (Foto: Reprodução/Instagram)
Bolsonaro e Bivar, em 2018. (Foto: Reprodução/Instagram)

Presidente do PSL, partido pelo qual Bolsonaro foi eleito presidente, Luciano Bivar figurou ao lado do ex-capitão do Exéricito durante toda sua campanha. Deputado federal por Pernambuco, Bivar se vangloriava de ter conseguido atrair Bolsonaro para sua sigla no começo de 2018.

De partido nanico, o PSL passou a ter a segunda maior bancada na Câmara a reboque de Bolsonaro. A presença do presidente, no entanto, também foi responsável pelo racha no partido. As rusgas vieram à tona em outubro de 2019, quando o presidente pediu para um apoiador “esquecer” Bivar pois estaria “queimado” na cena política pernambucana.

Dessa briga, surge o embrião do partido Aliança pelo Brasil - que até agora não passou da fase gestacional -, partido que abrigaria os bolsonaristas descontentes com a gestão de Bivar a frente do PSL. Após 9 meses de racha e 14 punições a deputados filiados, o PSL de Bivar agora espera uma reconciliação.

  • Joice Hasselmann

Bolsonaro e sua ex-líder na Câmara, Joice Hasselmnan. (Foto: Reprodução/Instagram)
Bolsonaro e sua ex-líder na Câmara, Joice Hasselmnan. (Foto: Reprodução/Instagram)

A deputada federal de São Paulo foi uma das ferrenhas defensoras do presidente e chegou a dizer após ser eleita que “queria ser o Bolsonaro de saias”. Hoje, talvez, seja um dos maiores alvos de ódio dos bolsonaristas com piadas machistas e gordofóbicas.

A dissidência com Joice é fruto do racha com o PSL - assim como outros demais integrantes da lista -, mas ganhou proporções maiores pelas declarações e ataques de ambos os lados. O campo principal dessa batalha digital são as acusações de disseminação de “fake news”.

Em outubro do ano passado, Joice foi tirada da liderança do PSL na Câmara e, em seguida, fez uma postagem dizendo não ter medo da “milícia digital” - as redes bolsonaristas se referem pejorativamente a ela com o apelido de “Peppa” -. Com um inquérito em andamento no STF sobre financiamento de redes de fake news, Bolsonaro recentemente pediu que Joice fosse “alvo de busca e apreensão”.

  • Wilson Witzel

Rio de Janeiro's Governor Wilson Witzel (L) and Brazilian President Jair Bolsonaro attend a ceremony at the Federation of Industries of Rio de Janeiro (FIRJAN) headquarters in Rio de Janeiro on May 20, 2019. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP)        (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Assim como Doria, Witzel ganhou o eleitorado de Bolsonaro em 2018 com base nos discursos de combate à violência, pró-armamento e com viés conservador. (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

O governador do Rio de Janeiro pode ser apontado como um dos verdadeiros frutos da “bolso-aliança”, que ditou regra durante as eleições de 2018. Ao declarar apoio aos Bolsonaros, o juiz saiu da posição de azarão que tinha 1% das intenções de votos em agosto e venceu o ex-governador Eduardo Paes na disputa pelo Palácio das Laranjeiras.

Uma vez no governo, Witzel iniciou seu processo de distanciamento do presidente e, em maio, pediu desculpas ao povo por ter apoiado Bolsonaro. Um mês antes, na fatídica reunião ministerial do dia 22 de abril, Bolsonaro se referiu ao governador carioca como “estrume”.

Agora, à beira do abismo diante de um processo de impeachment, Witzel parece querer retomar a amizade com os bolsonaristas.

  • João Doria

Doria e Bolsonaro em abril de 2019, quando a amizade ainda não havia sido rompida. (Foto: Reprodução/Twitter)
Doria e Bolsonaro em abril de 2019, quando a amizade ainda não havia sido rompida. (Foto: Reprodução/Twitter)

Outro que surfou na onda bolsonarista e ganhou o governo estadual foi o tucano João Doria. Com discurso endurecido contra a violência e apelando à segurança pública, Doria emulou um Bolsonaro paulista e consolidou o caminho rumo ao Palácio dos Bandeirantes, que tanto negou desejar quando prefeito de São Paulo.

Ao se aproximar de uma candidatura presidencial em 2022, Doria fez ruir essa aliança e hoje é um dos personagens favoritos das bravatas teórico-conspiratórias do vereador Carlos Bolsonaro. Basta uma olhada no Twitter do filho do presidente para ver um gif de Doria dançando ou uma referência às “calças apertadas”.

Doria tentou negar a parceria, mas foi desmetindo ao menos 13 vezes pelos fatos. O próprio Bolsonaro já se referiu a Doria como “bosta”, na mesma reunião presidencial em que ofendeu Witzel. Agora distante, Doria contra-ataca relacionando cada vez mais a imagem de Bolsonaro e do governo federal ao caos social e econômico provoado pela pandemia da Covid-19.