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Nissan pretende romper aliança com Renault, diz jornal

Poliana Santos
Nissan pretende romper aliança com Renault, diz jornal

Os executivos da Nissan planejam romper a aliança que dura quase 20 anos com a Renault. A decisão de avaliar uma possível separação é um sinal de tensão entre as montadoras após a prisão e fuga do ex-diretor da aliança, Carlos Ghosn.

O plano inclui uma divisão total entre a equipe de engenharia e de produção, assim como o conselho administrativo da Nissan. No entanto, ainda não ficou claro o quão viável seria esse rompimento, visto que, a Renault é a maior acionista da montadora japonesa.

Além disso, o mercado automobilístico, especificamente os concorrentes, estão fazendo alianças entre si e crescendo, como os casos da Fiat Chrysler e PSA e a Volkswagen e Ford.

As informações foram divulgadas pelo jornal britânico "Financial Times", que conversou com fontes próximas ao assunto e afirmou que os executivos avaliam a parceria com a Renault como "tóxica" e acreditam que a divisão seria o melhor para ambas as empresas que procurariam novas alianças.

O conselho da Renault-Nissan deve se reunir no dia 30 de janeiro e a reunião poderá terminar com anúncios sobre os projetos conjuntos. Procurados pelo jornal britânico, a Nissan não respondeu por ser feriado no Japão nesta segunda-feira (6) e a Renault não quis comentar o assunto.

"Eu nunca deveria ter sido preso", diz ex-diretor da Renault-Nissan

O ex-presidente da aliança entre Renault e Nissan, Carlos Ghosn, discursou pela primeira vez desde sua fuga do Japão no dia 31 de dezembro. Ghosn afirmou durante uma entrevista coletiva no Líbano que nunca deveria ter sido preso.

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"As alegações são falsas e eu nunca deveria ter sido preso. Estou aqui para limpar meu nome", afirmou o ex-executivo da Nissan. Carlos Ghosn disse ainda que "os princípios dos direitos humanos foram violados" com sua prisão. Isso porque, segundo ele, a justiça japonesa segurou os seus documentos de defesa.

Ghosn afirmou que a queda no desempenho da Nissan, há três anos, foi o precursor da perseguição contra ele. O executivo foi alvo de quatro acusações por crimes financeiros no Japão. No país, o magnata vivia sob prisão domiciliar desde abril de 2019.