Mercado abrirá em 3 h 28 min

Nintendo vai falar sobre desenvolvimento de jogos em evento brasileiro de games

Wagner Wakka

O Brazil's Independent Games (BIG) Festival é o maior evento de jogos independentes da América Latina. Ele estava agendado para acontecer em junho no Centro de Convenções Frei Caneca, mas foi interrompido pela pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e postergado para janeiro do ano de 2021.

Contudo, os organizadores não deixaram 2020 vazio de novidades sobre o cenário e preparam o BIG Digital, um braço totalmente online do evento que ocorre entre 22 e 26 de junho. Na programação, já há confirmação de empresas como Nintendo e Snapchat, além de apresentação de novos games independentes e palestras para desenvolvedores.

O BIG Digital será a primeira proposta totalmente digital de um evento de games no Brasil. A pandemia apertou o cerco em meados de março, cancelando festivais grandes como a Game Developers Conference (GDC) e a E3, a maior feira do setor. O BIG seguiu o exemplo e foi um dos primeiros que adiou o evento presencial para segurança dos participantes.

O Canaltech conversou com a organização do evento para saber como foi transpor um festival presencial para o meio digital durante uma pandemia.

O que mudou? 

Desde o ano passado, a organização do BIG aponta para dificuldades de obter orçamento para o Festival. Em 2019, o BIG aconteceu no Club Homs depois de anos no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e deixou de contar com uma versão no Rio de Janeiro. Na época, o Canaltech conversou com os organizadores e descobriu que parte das mudanças veio de restrições de financiamento à cultura. “De uma forma geral, tivemos muitas mudanças em todas as esferas de financiamento à cultura e isso afetou, é claro, o BIG Festival [...]. Para nós, está sendo um desafio, mas aproveitamos para transformar a sétima edição do evento em São Paulo em um recomeço”, disse Gustavo Steinberg, diretor do BIG, em 2019.

Em 2020, o evento ganharia outra casa, o Centro de Convenções Frei Caneca, mostrando outra adaptação do BIG. Atualmente, ele conta com investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual, da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e de outros parceiros. Por conta da pandemia, a versão presencial foi postergada para 2021.

Evento contava com games para público acessar, o que não acontecerá na versão digital (Foto: Divulgação/BIG)

Steinberg explica que o BIG tem três grandes temas. O primeiro é o Festival em si, com exposição de games, escolha dos melhores jogos em diferentes categorias e premiação. Também há as palestras e as rodadas de negócios entre desenvolvedores, publicadores e empresas do setor.

O Festival em si é o que vai acontecer somente no ano que vem. “Chegamos à conclusão de que o espaço físico era importante para isso, com exposição dos games, o público jogando, por isso adiamos essa parte. E o mais legal é criar oportunidade do público jogar os jogos ali e falar com os desenvolvedores ao vivo”, explica Steinberg ao Canaltech.

Para suprir essa carência, o BIG terá um showcase das principais desenvolvedoras em um painel com apresentação dos games e momento de perguntas e respostas.

Os outros dois são o que os organizadores estão chamando de BIG Digital. Por isso, o evento vai contar com palestras com especialistas da indústria, além de rodada de negócios entre desenvolvedores e publicadoras. Tudo isso acontecendo completamente online.

É só uma live? 

Na programação do BIG Digital estão agendadas 24 sessões durante dois dias de evento, além de rodadas de negócio. Para isso, as questões técnicas não são simples. “A gente brinca que o pessoal que está no estúdio parece um astronauta”, celebra Steinberg.

A referência é para a quantidade de telas e botões para organizar todas as transmissões. O BIG contratou o estúdio IPX em parceria com a Ponto Mídia Webcast, que vão organizar a transmissão.

O BIG Digital será transmitido gratuitamente e ao vivo pelo YouTube e Facebook, tanto com tradução simultânea entre inglês e português (caso a palestra seja apresentada em português também terá opção de áudio em inglês). “A gente vai ligar quatro canais, pois são duas línguas para duas plataformas diferentes. Dependendo da palestra que tem que ir para o switcher [aparelho de gerenciamento de telas], para mesa e distribuir para esses dois canais e passando pelo tradutor simultâneo. Então, foi e está sendo ainda uma brincadeira interessante”, ressalta Steinberg.

Equipe em estúdio usará proteções contra COVID-19 (Foto: IPX)

O gerenciamento, segundo os organizadores, não foi fácil. A referência aos astronautas não é só pela quantidade de telas e botões para organizar tudo, mas também devido à proteção da equipe. Em tempos de COVID-19, somente algumas poucas pessoas vão trabalhar in loco.

“Vamos garantir que só vai para lá quem é extremamente necessário que esteja lá. De resto, que pode fazer remoto, fará de suas casas. A equipe de lá também tem toda uma proteção. Não é fácil organizar tudo, tivemos que mandar nobreaks para todo mundo, garantir duas conexões de internet. Enfim, é uma estrutura para fazer tudo funcionar certinho”, conta Eliana Russi, diretora do BIG responsável pela programação do evento.

E o custo disso? 

A descrição do trabalho para fazer um evento digital parece ainda mais complexa que o presencial. Contudo, na ponta do lápis, um evento assim sai muito, mas muito mais barato que o físico. Segundo Steinberg, a necessidade de investimento chega a ser um sexto menor do que no Festival. “O custo é bem mais baixo. É só pensar assim: não tem parede, não tem que colocar computador, controlar público... A equipe é menor”, explica.

Por outro lado, os patrocínios também são reduzidos. Como comentado aqui no início desta reportagem, o BIG Festival conta com leis de incentivos. Contudo, essa versão digital está sendo paga completamente com patrocínios de empresas privadas. Apoiam o projeto companhias como Facebook, Nintendo e Snapchat. “O que eu achei legal foi, que, quando demos a ideia do online, esses parceiros apoiaram na hora. Isso é bem importante para nós. É não deixar a peteca cair, mostrar que as empresas estão fazendo negócio, os profissionais vão se capacitar, as pessoas vão saber o que está acontecendo. Porque é uma área da indústria que está, apesar de todos os pesares, bem ainda”, comemora.

Programação 

O BIG Digital também será dividido em três grandes áreas. A primeira são as palestras já descritas aqui. Com transmissão ao vivo e acesso gratuito, elas ocorrem entre 24 e 25 junho, sempre entre as 9h e 20h.

Entre os destaques está uma palestra com Scott Hawkins, responsável pelo licenciamento de desenvolvedores com a Nintendo. Ele vai falar sobre o interesse da BIG N no Brasil e como colocar seu jogo no Switch. “Os desenvolvedores aprenderão sobre o processo de inscrição para se tornar um desenvolvedor do Nintendo Switch, ouvirão respostas para perguntas comuns dos desenvolvedores”, diz a descrição da mesa. Essa palestra está agendada para 24 de junho, às 15h40 no horário de Brasília.

O BIG Digital também terá um painel com destaques sobre a Unreal Engine 5. O novo motor gráfico foi apresentado em meados de maio, com demo no PlayStation 5. A proposta é de que a ferramenta facilite a produção de games ultrarrealistas. O evento vai trazer Paulo Souza, evangelizador da tecnologia na América Latina, que vai detalhar as novidades do motor gráfico. A conversa acontecerá às 11h30 do dia 24 de junho.

Além disso, o BIG vai contar com participação do Snapchat. A rede social tem um programa que ajuda desenvolvedores a atrair mais jogadores para seus games. O encontro acontece às 14h50 do dia 25 de junho.

O evento será encerrado na quinta-feira com a apresentação de novas linhas de investimentos em games pelo Spcine, empresa de cinema e audiovisual da prefeitura de São Paulo com foco no desenvolvimento dos setores de cinema, TV, games e novas mídias.

E os negócios? 

O BIG também é um espaço de encontro entre desenvolvedores, publicadoras e outros entusiastas da indústria. Por conta disso, o evento também terá espaço voltado exclusivamente para negócios.

As rodadas vão acontecer em mesas digitais, com horários agendados entre os dias 22 e 26 de junho. Este é o único setor de evento que será efetivamente pago, com taxa de R$ 350. “A gente já tinha uma ferramenta que era usada para você agendar reunião com empresas, Você escolhia um dia e a companhia e, no final, o sistema dava uma mesa onde você se encontraria durante o BIG. Aqui a diferença é que você se cadastra em um link, no qual você vai ter reunião online, e a ferramenta administra também o fuso horário”, diz o diretor. Neste caso, as rodadas acontecem 24 horas por dia, durante os cinco dias de evento, tendo em vista que participarão empresas do mundo todo. Segundo o BIG, mais de US$ 65 milhões foram negociados na rodada de 2019.

e-Sports

Esta também será a primeira vez que o BIG vai se enveredar pelo universo do esporte eletrônico. Para isso, organizou dois campeonatos amadores dos jogos Brawl Stars e Free Fire, com inscrições gratuitas. “Aproximar dos e-Sports era algo que a gente sempre quis, mas nunca achamos que tinha relação com o evento. Neste caso, com a programação adiada, vimos uma oportunidade legal disso. Deu super certo, recebemos 5200 inscrições de sorteamos quem vai participar”, comemora o diretor.

Serviço

BIG Digital

Palestras gratuitas: 24 de junho a 25 de junho

Programação no site oficial.

Negócios: Entre 22 de junho a 26 de junho

Inscrições: R$ 350. Compre o ingresso aqui.

Campeonatos: 18 de junho a 20 de junho

Programação no site oficial.

Fonte: Canaltech