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Nigeriana Okonjo-Iweala, única candidata para dirigir a OMC

Christophe VOGT con Sebastien BERGER en Seúl
·2 minuto de leitura
Ngozi Okonjo-Iweala, ex-ministra das Finanças da Nigéria, em Genebra, em 15 de julho de 2020

A ex-ministra nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala está a um passo de se tornar a primeira mulher e a primeira africana à frente da Organização Mundial do Comércio (OMC), após a desistência, nesta sexta-feira (5), da sua única rival, a sul-coreana Yoo Myung-hee.

A ministra sul-coreana do Comércio, de 53 anos, consultou os Estados Unidos - seu principal apoiador - e outros países importantes e "decidiu renunciar à sua candidatura", disse seu Ministério em um comunicado.

No entanto, "a candidata nigeriana não será automaticamente nomeada', no entanto, advertiu à AFP um diplomata europeu em Genebra, já que "a eleição exige um consenso que, na prática, significa a adesão dos Estados Unidos".

O processo para designar o sucessor do brasileiro Roberto Azevêdo estava paralisado desde outubro, quando os embaixadores da OMC privilegiaram a candidatura da nigeriana, uma opção que contava com a oposição dos Estados Unidos de Donald Trump.

O responsável pela OMC costuma ser escolhido por consenso, o que paralisou o processo.

Okonjo-Iweala ainda não reivindicou vitória e disse que espera primeiro o fim do processo de seleção, destacando que "a OMC deve concentrar sua atenção na pandemia de covid-19 e na recuperação econômica global", segundo seu porta-voz.

Um diplomata europeu, no entanto, comemorou a "boa notícia" e garantiu à AFP que "nada impede a rápida nomeação de (...) Ngozi Okonjo-Iweala, vencedora do processo seletivo".

"Com sua nova diretora-geral, a OMC poderá considerar a conclusão de suas negociações sobre subsídios à pesca e se preparar para sua 12ª conferência ministerial em 2021", acrescentou.

- À espera de Washington -

Antes da desistência sul-coreana, observadores sugeriram que os Estados Unidos estavam pressionando a Coreia do Sul, onde tem 28.500 soldados destacados para defendê-la da Coreia do Norte, para que mantivesse a candidatura de Yoo.

A decisão de Seul de retirar sua candidata se dá duas semanas depois que o democrata Joe Biden assumiu o poder na Casa Branca.

Entre as principais tarefas da próxima diretora da OMC está a reforma da organização, considerada necessária antes mesmo da eclosão da pandemia de covid-19, em um contexto de negociações paralisadas e de tensões entre Washington e Pequim.

Durante o governo Trump, os Estados Unidos também ameaçaram deixar a organização e paralisaram o tribunal de apelações do órgão de solução de controvérsias.

Okonjo-Iweala, 66, foi a primeira nigeriana a dirigir os Ministérios das Finanças e das Relações Exteriores, foi diretora de Operações do Banco Mundial e, recentemente, liderou um programa da Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater a covid-19.

Em meados de outubro, Ngozi Okonjo-Iweala apontou para duas prioridades: um acordo sobre subsídios à pesca - paralisado - e a reforma do órgão de solução de controvérsias, que o governo Trump paralisou.

"Eu sou a candidata da reforma", disse a aspirante .

cdl-slb-vog/apo/tjc/mis/mr