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Nigeriana Okonjo-Iweala é a principal candidata para presidir a OMC, mas EUA se opõe

·2 minuto de leitura
A nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala

A nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala foi proposta nesta quarta-feira (28) pelos embaixadores que presidem os três principais órgãos da Organização Mundial do Comércio (OMC) para dirigir a organização, mas Estados Unidos discordou imediatamente. 

A chamada "troika" de embaixadores que lideram os três principais braços da OMC determinou, após quatro meses de consultas com os estados-membros, que Okonjo-Iweala é a candidata melhor posicionada, afirmou o porta-voz da OMC, Keith Rockwell. 

No entanto, Estados Unidos anunciou que apoia a ministra do Comércio sul-coreana Yoo Myung-hee. 

Após duas rodadas de consultas para o cargo mais alto da organização, do grupo inicial de oito candidatos ficaram na disputa apenas Okonjo-Iweala e a sul-coreana Yoo, deixando o cargo pela primeira vez nas mãos de uma mulher.  

A "troika" liderada pelo embaixador neozelandês David Walker concluiu uma terceira rodada de consultas na terça-feira, na qual a nigeriana Okonjo-Iweala reuniu o maior consenso, traçando o caminho para tornar-se a primeira pessoa africana na direção da OMC.

A decisão dos Estados Unidos de apoiar a sul-coreana Yoo levanta dúvidas sobre o consenso necessário dos 164 membros da OMC para decidir o sucessor do brasileiro Roberto Azevedo, que deixou o cargo em agosto por motivos familiares. 

- Candidata reformista -

A nigeriana Okonjo-Iweala, de 66 anos e economista de formação, foi a primeira ministra de Finanças e do Exterior de seu país e igualmente diretora de operações do Banco Mundial.

Há pouco tempo, também liderou a Aliança Global para a Imunização e Vacinação (GAVI, em suas siglas em inglês) e dirigiu um dos programas da Organização Mundial da Saúde para combater a covid-19.

Já Yoo Myung-hee, de 53 anos, é a primeira mulher de seu país a dirigir o Ministério do Comércio. 

Em 1995, se encarregou das questões da OMC neste ministério e depois liderou as negociações em acordos de livre comércio, especialmente o da China e Coreia do Sul. 

Também trabalhou na embaixada da Coreia do Sul na China (2007-2010).

"É óbvio que a que chegar ao cargo terá muito o que fazer em seu primeiro dia de trabalho", admitiu Keith Rockwell, porta-voz da OMC.

Se conseguir o apoio necessário para dirigir a OMC, Okonjo-Iweala tem muito trabalho à frente. Terá que trabalhar em um contexto de crise econômica, mas também de crise de confiança no multilateralismo e na validade da liberalização do comércio mundial.

Tudo isso em meio a uma guerra comercial entre as duas principais potências econômicas do mundo, China e Estados Unidos. 

Washington afirma que foi tratada "injustamente" pela OMC e ameaça abandonar a organização, pedindo reformas. Desde dezembro, paralisa também o tribunal de apelação do órgão de solução de conflitos.

Okonjo-Iweala afirmou no início do mês que era "uma candidata reformista e acredito que a OMC precisa de reformas urgentes de seus atributos e poderes". 

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