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Nicette Bruno morre após complicações de covid

Bárbara Saryne
·6 minuto de leitura
A atriz morreu aos 87 anos (Foto: Reprodução/Globo)
A atriz morreu aos 87 anos (Foto: Reprodução/Globo)

Nicette Bruno morreu neste domingo (20), aos 87 anos, por complicações causadas pela covid-19. Ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Casa de Saúde São José, no Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro. A informação da morte foi confirmada pelo hospital por volta das 13h20.

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A atriz foi internada no dia 26 de novembro, após ser diagnosticada com Covid-19. Na ocasião, Beth Goulart, que é filha dela, afirmou que a veterana foi levada para o CTI, mas ainda apresentava um quadro estável. A piora significativa só aconteceu na terça-feira (1º de dezembro), quando a atriz precisou ser sedada e entubada.

Em um vídeo publicado no Instagram, Beth Goulart pediu para os seguidores enviarem energia positiva. “Vamos orar todos os dias até ela estar recuperada com saúde, sorrindo, com a sua energia de alegria, de luz e de vida, que ela sempre teve e vai continuar tendo”, disse a atriz, esperançosa. Famosos e anônimos enviaram mensagens e prometeram fazer uma corrente de oração.

Além de Beth Goulart, 59, Nicette é mãe de Bárbara Bruno, 64, e Paulo Goulart Filho, 55. O marido dela, Paulo Goulart, morreu em 2014, após complicações de um câncer renal. Na ocasião, a família sofreu muito e Nicette chegou a dizer que tinha certeza que um dia o encontraria novamente.

''Eu e Paulo tínhamos uma afinidade cênica muito grande. Tanto que nos conhecemos em cena, né? Trabalhar juntos era muito bom, porque tínhamos a mesma seriedade, sabíamos separar a nossa relação. Quando estávamos em cena, éramos personagens, não a nossa individualidade'', descreveu Nicette ao Memória Globo.

A morte de Goulart incentivou Nicette a fazer o primeiro monólogo de sua carreira, “Perdas e ganhos”, em 2014, a partir de texto da escritora gaúcha Lya Luft. A direção e adaptação da peça que rodou capitais era da filha, Beth.

“Estou feliz porque é para o Paulo. É uma homenagem a ele. Sabe, o teatro é o maior momento da minha existência. Foi nele que estreei aos 14 anos, foi nele que me casei, foi nele que experimentei o surgir dos meus filhos na profissão e foi nele que tive o momento mais doloroso da minha vida, a despedida do Paulo. A despedida foi no Teatro Municipal de São Paulo (onde o corpo do ator foi velado). Agora é também no palco que estou compartilhando um momento tão singular da minha vida. De verdade ", contou ao "Jornal O Globo" na época da estreia.

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Carreira

Nicette Bruno em 'Éramos Seis' com Gloria Pires (Foto: Divulgação/Globo)
Nicette Bruno em 'Éramos Seis' com Gloria Pires (Foto: Divulgação/Globo)

Nicette Bruno começou sua carreira no teatro aos 14 anos e se destacou na TV com personagens marcantes, como a Dona Benta, do ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’. As novelas ‘Mulheres de Areia’, ‘Rainha da Sucata’ e ‘Sete Pecados’ também estão em seu vasto currículo.

Em 2019, a atriz chamou atenção como Ester em ‘Órfãos da Terra’. Ela interpretava uma judia fanática e provocava os risos dos telespectadores por ser muito mão de vaca. Algumas cenas também repercutiram nas redes sociais quando a personagem mimava demais o filho.

O último trabalho dela, no entanto, foi uma participação na novela ‘Éramos Seis’, como Madre Joana, uma espécie de homenagem à ela por ter sido a protagonista da versão exibida em 1997 na TV Tupi.

No início da pandemia, Nicette estava para estrear a peça “Quarta-feira, sem falta, lá em casa” no Rio, ao lado de Suely Franco. O espetáculo acabou adiado por conta das restrições para combater a Covid-19. Foi no teatro, aliás, que Nicette fez sua estreia profissional (em montagem de "Romeu e Julieta" em 1945). Ao longo das últimas sete décadas, subiu ao palco diversas vezes, e levou o Prêmio Molière de melhor atriz por "O efeito dos raios gama sobre as margaridas do campo" (em 1974) e o Prêmio Shell na mesma categoria por "Somos irmãs" (1988).

Em maio, quando participou de uma live com Eva Wilma e Léa Garcia, Nicette contou ao jornal “O Globo” como estava impactada pela morte de colegas artistas como os atores Flávio Migliaccio e Dayse Lucidi e o compositor Aldir Blanc.

"A falta de contato humano, neste momento, é terrível. E ainda temos tido essas perdas tristes e desagradáveis... A morte do Flávio (Migliaccio) foi uma dor sem tamanho. Depois, o mesmo com a Dayse... A cada momento, parece haver um novo choque. Por isso, tenho que orar. Oro muito mesmo ",contou ela, que era devota do espiritismo.

A solidão na pandemia

Por fazer parte do grupo de risco da Covid-19, Nicette Bruno cumpria a quarentena à risca. Em maio, a atriz fez uma participação no ‘Encontro’ via chamada de vídeo e disse que o que a ajudou a passar pelo isolamento foi a presença das filhas que moram no mesmo condomínio.

Amigos e outros familiares da veterana estavam mantendo contato pelas redes sociais. “Sempre fomos muito agarrados, mas agora é desse jeito. Não fico parada. Procuro me exercitar. Quando o tempo está bom vou no jardim, tomo um banho de sol, caminho em volta da casa, leio meus livros. Sempre falo com os amigos pelo WhatsApp”, afirmou.

Questionada por Fátima Bernardes sobre como sairemos dessa pandemia, a atriz filosofou na ocasião. “Com esse isolamento vamos aprender muito sobre nós mesmos. Vamos fazer reflexões e ver o que temos que mudar em nós para nos tornarmos pessoas melhores. Precisamos enxergar o outro. Eu sempre fiz isso, mas é uma dica para quem está ouvindo. Vamos nos preocupar com o próximo. Tenho esperança e fé que isso vai passar. Vamos estar diferenciados e melhores”, finalizou.

Em 2017, quando participou da atração, atriz fez questão de se posicionar contra homofobia.

“As pessoas não são iguais. Não existem duas pessoas iguais. Cada um tem a sua individualidade, tem o seu caminho a seguir e todos devem conviver da mesma forma. É curioso que fica se pensando na homossexualidade como se fosse algo estranho, diferente, como se fosse um defeito. E não é. Meu Deus, é a vida. É a individualidade da pessoa. Você pode ter dez filhos e os dez serão diferentes. Você vai educá-los de acordo com a sua visão de família, mas para cada um você tem que ter um sentido único, porque eles são diferentes. E não são eles que tem que se modificar. Você é que tem que se adaptar a cada um deles. Porque isso forma uma família”, disse Nicette Bruno durante a atração quando teve oportunidade de opinar.

*Com informações do jornal “O Globo"

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