Mercado fechado

NH Foods mira venda direta online de carne bovina para China

Ken Parks

(Bloomberg) -- A NH Foods estuda como vender carne diretamente para consumidores finais na China, já que a pandemia de coronavírus acelera as compras online de alimentos em toda a Ásia.

“É necessário se aproximar desse novo consumidor que está comprando mais via comércio eletrônico”, disse Daniel de Mattos, diretor-presidente da unidade Breeders & Packers Uruguay, da NH Foods, em entrevista de seu escritório em Montevidéu.

Produtores de carne bovina enfrentam o desafio de se adaptarem a um mundo pós-pandemia, onde consumidores compram mais online e exigem maior responsabilidade de processadoras e pecuaristas. Consumidores americanos agora dão mais importância ao que De Mattos descreveu como aspectos “éticos” da produção de carne bovina, incluindo o bem-estar animal, rastreabilidade e condições sanitárias, onde o Uruguai é líder na região.

A carne bovina é um grande negócio no Uruguai, onde a carne vermelha está constantemente entre as três principais exportações do país.

Assim como outros países produtores de carne bovina na América do Sul, o Uruguai sentiu o impacto da queda da demanda chinesa devido à Covid-19. A China ainda responde por mais da metade das exportações de carne bovina do Uruguai, embora os embarques tenham caído quase 38% em relação ao ano anterior, para 88.655 toneladas até 20 de junho, na comparação anual, segundo dados compilados pela agência nacional de carne Inac.

O surto da Covid-19 deste mês em Pequim colocou mais pressão sobre preços já em queda, disse De Mattos, segundo o qual clientes chineses estão oferecendo US$ 1 mil a tonelada a menos pela carne bovina uruguaia do que há dois meses.

Junho deve ser um mês negativo para o comércio de carne bovina com a China. Dados da Inac mostram baixa acumulada de 69% dos embarques por enquanto.

“Nas últimas quatro ou cinco semanas, foi impossível vender carne uruguaia a preços aceitáveis na China, enquanto Brasil e Argentina inundaram esse mercado”, disse De Mattos.

Frigoríficos uruguaios são desafiados por rivais do Brasil e da Argentina, que se beneficiam de custos operacionais e de gado mais baratos e ganham participação em mercados importantes como a China. O Uruguai precisa abrir mercados do Sudeste Asiático, como Malásia e Vietnã, e negociar tarifas mais baixas com o Japão e a Coreia do Sul para diversificar os negócios de exportação, disse o executivo.

Os EUA são um dos poucos grandes compradores de carne bovina uruguaia que têm aumentado as compras desde maio, pois unidades de abate no país enfrentam surtos de Covid-19 entre trabalhadores.

Produtos premium como “alimentado com capim” e carne bovina com certificação “Never Ever” aumentaram sua participação nas exportações para os EUA durante a pandemia, no que De Mattos vê como mudança duradoura.

As vendas para a União Europeia, o mercado número 3 do Uruguai em volume, só devem subir a partir do quarto trimestre, devido ao alto volume de estoques de carne congelada naquele mercado, disse De Mattos.

“A UE dá sinais de recuperação”, disse. “Estamos perto dos preços pré-Covid, mas não dos volumes que estávamos exportando” antes da pandemia.

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.