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NFTs: a revolução que vai mudar a forma como nos relacionamos com a arte

·4 minuto de leitura

*Por William Batista

Muitos conhecem a rede blockchain somente como uma plataforma que auxilia nas transações de criptomoedas, como Bitcoin e Ethereum. Entretanto, esta tecnologia, que parte do princípio de ser uma rede descentralizada, tem demonstrado eficiência e utilidade muito além das transações financeiras. Por ser um ambiente seguro de operações é possível dizer que setores como o jurídico, de saúde e até eleitoral poderiam se beneficiar de suas facilidades.

Um estudo de 2020 da PwC e CV VC apresenta áreas econômicas que podem aproveitar a tecnologia, entre elas estão o setor de corretagem, plataformas de emissão de tokens para diversas finalidades, bolsas de cripto e a indústria artística. Esta última categoria tem se destacado muito com a popularização dos NFTs.

O conceito simples de NFTs (non-fungible token, ou tokens não fungíveis) representa itens não fungíveis, ou seja, aquilo que é único, que mesmo quando reproduzido em escala ainda é inédito. Um bom exemplo são os carros. Automóveis são ativos não fungíveis, é possível ter milhões de exemplares de um mesmo veículo, ao mesmo tempo que cada um deles é único em si mesmo e tem um próprio número de chassi.

Da mesma forma, uma obra de arte é única e exclusiva. A Mona Lisa, por exemplo, pode até ser reproduzida, mas apenas uma será a original. A única diferença é que os itens desta categoria são digitais e o registro é feito pela rede blockchain.

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

No ano passado, começamos a ouvir falar mais dos NFTs. Esta categoria de ativos digitais tem ganhado espaço e atenção no mercado de investimentos e estado nas discussões sobre propriedade digital. Especialistas estudam se isso pode ser uma bolha no mercado financeiro. Não nos cabe debater o que pode ser considerado um conteúdo digital que tenha valor e que seja percebido como um investimento ou não, ou até mesmo a qualidade destes conteúdos, mas sim como qualquer tipo de produto digital pode ter valor agregado com a nova tecnologia que registra propriedade intelectual e de posse.

Mas o questionamento que fica para essas obras serem negociadas no ambiente digital como investimentos, é se realmente é válido pagar por um arquivo que pode ser copiado e baixado no seu computador a qualquer momento. Afinal, como um simples tweet pode ser leiloado por US$ 2,9 milhões? A resposta está dentro da pergunta, mas para entendermos melhor precisamos voltar ao exemplo de uma obra física: mesmo que qualquer um possa adquirir uma cópia de Leonardo da Vinci, apenas uma pessoa poderá ter o direito de propriedade sobre a criação original.

Hoje existem plataformas próprias já desenvolvidas focadas no registro de jogos, obras de arte e as pessoas têm a possibilidade de registrar suas criações e comercializá-las dentro destes marketplaces. No Brasil, a nova tecnologia está começando a trilhar seu próprio caminho. Enquanto este artigo era escrito, o Youtuber Felipe Neto havia lançado a primeira plataforma de NFTs nacional, chamada de 9Block. Entre os tokens oferecidos pela empresa estão disponíveis cards com o próprio empresário estampado em desenhos e personagens. Os valores cobrados são a partir de 100 reais. Para um influencer digital com mais de 40 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, não restam dúvidas que o produto terá aderência entre seus fãs.

O benefício para os produtores de conteúdo e artistas visuais é que os NFTs são uma forma mais acessível e barata de patentear alguma obra produzida, além de permitir a possibilidade de venda desse direito e ganhos em cima da comercialização. Se tentarmos fazer um paralelo com as plataformas de streamings musicais, é possível imaginar um cenário futuro que possa valorizar os artistas visuais, assim como o Spotify conseguiu ajudar os cantores.

Serviços como Spotify, Deezer e Amazon Music contribuíram com a distribuição de músicas de forma legal, em contraponto à pirataria e reprodução ilegal, por um custo muito mais acessível para os consumidores. No campo de artes visuais e NFTs, é possível imaginar uma plataforma que consiga rentabilizar em forma de aluguel, talvez, um direito de propriedade de uma obra de arte, proporcionando um retorno financeiro recorrente aos produtores e artistas, assim como é nos streamings de músicas.

Voltando ao Felipe Neto, a ideia de comercializar cards exclusivos é bem parecida com a coleção de figurinhas da Copa do Mundo por jovens, e até mesmo adultos. O conceito de trocas entre amigos para obter aquelas que ainda não tínhamos para completar o álbum pode muito bem ser transferido para o ambiente digital.

Para quem não coleciona, pode até parecer algo sem propósito, mas quem tem este hábito reconhece o valor de ter estes itens e toda a sua experiência e exclusividade. Resta saber como isso será aproveitado pelos empreendedores e artistas ou mesmo que tipo de inovação pode surgir diante desta nova forma de produzir e consumir ativos não fungíveis dentro do mercado digital. Uma coisa nós temos certeza, tudo é possível no ambiente online e a tecnologia blockchain amplifica, facilita e rompe com os limites até então conhecidos dentro do mercado tradicional.

*William Batista é Vice-presidente de operações da BlueBenx, primeiro blockchain bank especializado na fusão entre o mercado de criptomoedas e mercado tradicional

Fonte: Canaltech

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