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NFT da “Menina do Incêndio” é vendido por R$ 2,6 milhões

Felipe Demartini
·3 minuto de leitura

Quem já disse que meme não dá dinheiro não previu a chegada dos NFTs. Na última semana, mais uma piada clássica da internet fez um bocado de grana para sua criadora, no caso, Zoe Roth, que hoje tem 21 anos, mas é conhecida por todos desde garota, quando ficou conhecida nas redes sociais como a “Disaster Girl”. A imagem original da “Menina do Incêndio” foi vendida por quase US$ 500 mil.

Foi a própria quem fez isso, hoje uma estudante da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A fotografia original, tirada por seu pai e disponibilizada a uma resolução de 2560 x 1920 pixels, foi arrematada por 180 Ether, que na cotação da data em que esta reportagem é escrita, equivale a cerca de US$ 497,4 mil. E ela ainda tem os direitos de copyright sobre a imagem, levando uma fatia de 10% a cada revenda que seja realizada pelos novos proprietários, que gerenciam um estúdio musical chamado 3FMusic e fizeram a aquisição na conta da empresa.

A venda também acompanhou a história da icônica foto, que representa os sentimentos de muita gente. Caminhando pela vizinhança onde morava, em janeiro de 2005, Roth se impressionou com o incêndio em uma casa de madeira e correu para ver mais de perto o trabalho dos bombeiros. Foi aí que o pai começou a registrar algumas imagens e, entre elas, a cena da menina, que na época tinha quatro anos de idade, com um olhar maligno e as chamas ao fundo — a cena só foi publicada em 2008 e acabou se tornando um fenômeno na internet.

<em>Página do leilão da imagem da Disaster Girl; Zoe Roth afirma que essa foi a primeira vez que o meme foi monetizado e rendeu dividendos a ela, após sua postagem original em 2008 (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)</em>
Página do leilão da imagem da Disaster Girl; Zoe Roth afirma que essa foi a primeira vez que o meme foi monetizado e rendeu dividendos a ela, após sua postagem original em 2008 (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Apesar do sucesso, monetizar o meme foi algo que a família de Roth jamais havia conseguido, mesmo após contratar advogados, agências e até buscar conselhos com outras webcelebridades, como Laina Morris, a “Overly Attached Girlfriend”, e Kyle Craven, o “Bad Luck Brian”. Para a “Menina do Incêndio”, a venda do NFT original e o controle sobre revendas passa a sensação de que há algum direcionamento na reprodução da cena, que já foi usada em camisetas, canecas, quadros e todo tipo de merchandising, por terceiros, sem que os autores originais recebessem um centavo.

Agora, Roth pretende dividir os ganhos com a venda do NFT, bem como eventuais recebíveis pela revenda da imagem, com seus familiares. Já os compradores não puderam ser contatados e não falaram sobre a aquisição, a mais recente em uma onda de vendas de memes, artes originais e até tweets que acompanham a onda e a valorização dessa modalidade.

O fundador do Twitter, Jack Dorsey, vendeu por US$ 2,9 milhões a primeira mensagem publicada na rede social, postada em 21 de março de 2006. Outros memes, também, já foram comercializados a valores altos, como o da própria “Overly Attached Girlfriend”, que garantiu US$ 410 mil para a retratada, Laina Morris. No negócio mais lucrativo registrado até agora, o designer gráfico Mike Winkelmann, conhecido como Beeple, ganhou US$ 69 milhões ao disponibilizar uma arte exclusiva em NFT e se tornou o terceiro artista mais lucrativo ainda em atividade, por uma colagem de artes digitais criadas todos os dias ao longo de mais de 13 anos.

Fonte: Canaltech

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