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Nextel alerta que se Cade demorar, vai precisar de recursos para 2020

Alexandre Melo

Operadora questiona recurso obtido pela TIM contestando a venda do controle para a América Móvil, dona da Claro no Brasil A demora para concluir a venda da Nextel Brasil, controlada pela NII Holdings, à América Móvil pode deixar a empresa de telefonia móvel sem caixa para financiar a operação. A NII considera que o recurso obtido pela rival TIM no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) questionando a transação “não tem mérito”.

No documento enviado hoje à comissão de valores mobiliários americana, a Securities and Exchange Commission (SEC), a NII informou que trabalha com a América Móvil para contestar o apelo da rival no órgão antitruste e receber uma aprovação final o mais rápido possível.

Loja da Nextel em São Paulo: empresa foi comprada pela América Móvil

Adriana Spaca/Brazil Photo Press

Contudo, a controladora da Nextel alertou os investidores que se a transação não for concluída até 31 de dezembro, os acionistas AI Brazil Holdings e NII e a compradora deverão aportar recursos para um orçamento operacional em 2020 e estender o contrato de compra até 31 de março do próximo ano.

A compra da Nextel pela América Móvil, dona da Claro Brasil, por R$ 3,47 bilhões aconteceu em março de 2019. Em setembro, o negócio recebeu as aprovações necessárias do Cade e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O aval do órgão concorrencial estava sujeito a um período de apelação de 15 dias, iniciado em 8 de outubro.

Em 22 de outubro, a TIM interpôs recurso junto ao Cade contestando a decisão da Superintendência Geral argumentando potenciais efeitos anticompetitivos e desequilíbrio de frequência. A TIM quer que a Claro compartilhe parte de suas frequências. O órgão precisa se pronunciar sobre o mérito da apelação até 26 de janeiro de 2020.

A regulamentação prevê que este prazo pode ser prorrogado uma vez por até 90 dias. Entretanto, a tendência é que o desfecho da análise seja anunciado bem antes desse prazo. O Cade vai trocar informações com a Anatel antes de se posicionar sobre o recurso.

Assim como no segundo trimestre deste ano, a NII reafirmou que se a venda à América Móvil não for concluída até o primeiro trimestre de 2020, a empresa pode ficar sem recursos para a operação, sendo necessário alterar o plano de negócios para reduzir significativamente os gastos ou obter financiamento adicional.

No entanto, a regulamentação prevê que este prazo pode ser prorrogado uma vez por até 90 dias. Entretanto, a tendência é que o desfecho da análise seja anunciado bem antes desse prazo. O Cade vai trocar informações com a Anatel antes de se posicionar sobre o recurso.

Assim como no segundo trimestre deste ano, a NII reafirmou que se a venda à América Móvil não for concluída até o primeiro trimestre de 2020, a empresa pode ficar sem recursos para a operação, sendo necessário alterar o plano de negócios para reduzir significativamente os gastos ou obter financiamento adicional.

A Nextel Brasil informou nesta terça-feira ter registrado um prejuízo de US$ 27,7 milhões no terceiro trimestre de 2019, uma queda de 11% em relação a igual período do ano passado. Entre janeiro e setembro, a perda cai 60%, para US$ 65,4 milhões.