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Neuroprótese: dispositivo lê mente de homem com paralisia e transforma em frases

·2 minuto de leitura

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram transformar em frases as ondas cerebrais de um homem paralítico e que não consegue se comunicar através da fala. Seus pensamentos sobre o que ele gostaria de falar, então, foram exibidos na tela de um computador.

Edward Chang, líder do estudo e neurocirurgião da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, comemora a conquista. "É emocionante pensar que estamos no início de um novo capítulo, um novo campo", diz o cientista, confiante que o projeto irá ajudar pessoas com a comunicação limitada.

O homem que participou do experimento, que não quis se identificar, usava uma espécie de ponteiro preso a um boné, permitindo que ele movesse a cabeça para tocar palavras ou letras em uma tela. Essa técnica, no entanto, é limitada e bastante lenta, assim como outros dispositivos que fazem o rastreio do movimento dos olhos.

<em>Imagem: Reprodução/LightFieldStudios/envato</em>
Imagem: Reprodução/LightFieldStudios/envato

Nos experimentos dos últimos anos, pesquisadores conseguiram que pessoas paralisadas apertassem as mãos ou bebessem algo usando braços robóticos, com os sinais cerebrais retransmitidos ao membro artificial por meio de um computador. Com base nesses estudos, Chang e sua equipe criaram um dispositivo classificado como uma neuroprótese de fala, que decodifica as ondas cerebrais que controlam o trato vocal responsável pelos movimentos musculares da língua, mandíbula, lábios e laringe.

O voluntário do estudo tinha 30 anos e sofreu um derrame cerebral 15 anos atrás, que o deixou paralisado e sem a capacidade de fala. O homem teve eletrodos implantados na superfície do cérebro, onde está o controle da fala, e na sequência a máquina analisou os padrões que surgiam enquanto ele tentava dizer palavras como "água" ou "bom", aprendendo a diferenciar cerca de 50 palavras que poderiam gerar mais de mil frases.

<em>Imagem: Reprodução/University of California San Francisco</em>
Imagem: Reprodução/University of California San Francisco

Ao ser perguntando "como você está hoje?" ou ainda "você está com sede?", o computador permitia que o voluntário respondesse "estou muito bem" ou "não estou com sede", com frases que apareciam como texto na tela. A cada tentativa de resposta, leva entre três a quatro segundos até que as sentenças surjam..

A tecnologia ainda precisa de mais testes, mas os cientistas acreditam que ela ajudará pessoas com lesões cerebrais, que tiveram derrames ou com doenças como a de Lou Gehrig. As próximas etapas do estudo é aprimorar a velocidade do dispositivo, aumentar o vocabulário e a precisão e, talvez, até gerar vozes em vez de textos em uma tela.

Fonte: Canaltech

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