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Nestlé revisará compra de carne e cacau da Amazônia após queimadas

Denis Balibouse/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Empresa suíça diz que objetivo é garantir alinhamento com padrão de fornecimento sustentável.

  • o Brasil, a Nestlé obtém óleo de palma, soja, carne e cacau de Estados localizados na Amazônia.

O avanço das queimadas na Amazônia, maior floresta tropical do mundo, causou reações na gigante de alimentos Nestlé. Nessa sexta (30), a empresa declarou estar “profundamente preocupada com os incêndios na floresta amazônica” e classificou a área como “vital para garantir a estabilidade climática”.

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Em nota reportada pelo jornal O Estado de S.Paulo, a gigante suíça advertiu ainda que a compra de subprodutos de carne e cacau da região está sendo agora “revisada” a fim de garantir que o padrão de fornecimento responsável esteja alinhado aos conceitos da empresa. "Vamos tomar ações corretivas quando necessário", avisou.

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Os incêndios em maior escala na região geraram uma repercussão internacional e culminaram com tópico de debate na reunião do G7, dias atrás, na França. Em resposta, o governo brasileiro chegou a anunciar o envio das Forças Armadas para combater as chamas, mas isso não tem impedido que grandes grupos empresariais manifestem a insatisfação com a maneira como o Brasil tem lidado com o problema.

A VF Corporation, dona da Timberland, Vans e Kipling, por exemplo, já anunciou a suspenção da compra de couro.

Na nota dessa exta, a Nestlé afirmou que se opõe ao desmatamento e à destruição de outros habitats naturais em todo o mundo e reforçou que, desde 2010, assumiu um compromisso de não desmatamento, o qual prevê a não associação dos produtos com essa prática.

“Desenvolvemos o Padrão de Fornecimento Responsável da Nestlé, que nossos fornecedores precisam respeitar e aderir em todos os momentos. Se forem identificadas lacunas, nos envolvemos com os fornecedores para entregar planos de mitigação e rastrear a eficácia das ações tomadas”, informou o grupo, na nota.

Do Brasil, a Nestlé obtém óleo de palma, soja, carne e cacau de Estados localizados na Amazônia. “Nos comprometemos com a Moratória da Soja da Amazônia, um acordo voluntário liderado pela indústria para garantir que, desde 2006, os comerciantes não comprem soja cultivada na Amazônia em terras desmatadas. Nós também monitoramos nossos fornecedores de carne por meio de monitoramento por satélite”, detalhou a empresa.

Além da Nestlé, quem se manifestou também esta semana foi o Nordea, maior banco dos países nórdicos e com sede na Finlândia. O grupo afirmou que suspenderia as compras de bônus do governo do Brasil, devido a preocupações sobre a resposta aos incêndios na região da Amazônia. A "quarentena temporária", informou o Nordea, significa que não comprará bônus brasileiros denominados em dólar ou real até nova avaliação posterior sobre o tema.