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Nestlé lança no Brasil cafeteira que usa cápsulas compostáveis feitas em papel

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Nestlé lança nesta quinta-feira (10) uma nova cafeteira e uma nova linha de cápsulas. A Dolce Gusto NEO funcionará apenas com cápsulas feitas em papel e que poderão ser depois descartadas em sistemas de compostagem.

A cápsula biodegradável pretende resolver um dos problemas desse segmento, que é a produção de lixo, umas vez que as tradicionais são feitas em plástico e alumínio.

O Brasil será o primeiro país a ter a nova linha, que começará a ser vendida em dezembro. O preço sugerido pela Nestlé é de R$ 899 pela cafeteira. As cápsulas deverão ficar entre R$ 2,80 e R$ 3,20, dependendo do tipo de café.

Marcelo Melchior, CEO da Nestlé no Brasil, diz que escolha é uma demonstração do compromisso da empresa com esse mercado, uma vez que o país é um dos maiores consumidores de café em número de xícaras do mundo.

O preço da nova máquina é alto na comparação com as linhas de entrada da Dolce Gusto, na faixa de R$ 389,90, mas não estão muito distantes da Infinissima ou da Genio S Touch, cafeteiras automáticas que custam R$ 749,90.

Para Rachel Muller, vice-presidente de cafés e bebidas da Nestlé Brasil, o preço da nova máquina é compatível com as demais cafeteiras no mesmo segmento de cafés especiais.

A produção das cápsulas de papel será feita na fábrica da Dolce Gusto em Montes Claros (MG), a primeira da Nestlé no mundo a receber certificações quanto a uso da água (100% de reúso), emissão de carbono (neutralizadas) e processamento de resíduos (feito na própria fábrica, sem lixo para aterros) -ela é chamada de "triple zero".

O investimento total no país para o lançamento da linha será de R$ 300 milhões até 2025. Estão nessa conta as adaptações necessárias à linha de produção da fábrica e a capacitação de mão de obra.

Segundo a companhia, os novos produtos são resultado de cinco anos de pesquisas (a cifra não considera os investimentos feitos no desenvolvimento e nas patentes). O desafio era garantir que o café não oxidasse na embalagem.

Além do papel (que é certificado), as cápsulas usam um tipo de polímero biodegradável que, segundo a Nestlé, protege o pó, conservando aroma e sabor. A extração também ficará mais tecnológica. A cafeteira reconhece o tipo de cápsula inserida e se ajusta para a melhor combinação, considerando temperatura, quantidade de água e tempo.

O consumidor poderá, porém, personalizar a extração de acordo com suas preferências por meio de aplicativo.

A linha Neo só aceita as cápsulas feitas em papel. Parte dessa restrição tem relação com o projeto da máquina, que demanda um outro tipo de vedação na extração. A cafeteira terá os métodos ristretto, espresso, lungo, caseiro e americano.

Ao todo, 10 opções de café serão vendidas, das quais 6 da linha regular, 2 orgânicos e 2 da marca Starbucks. Todos os cafés vêm de fazendas do Cerrado e Sul de Minas Gerais e do Espírito Santo e, segundo a Nestlé, têm certificados de cultivo e processamento sustentáveis.

A Nestlé é líder no mercado de café em cápsula. Além da Dolce Gusto, é dona também da Nespresso. Com a nova cafeteira, a gigante alimentícia finca o pé também no terreno dos produtos alinhados à agenda ESG, sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança.

Em setembro, o grupo suíço Migros lançou uma cápsula recoberta por uma película a base de algas, no que foi visto como uma tentativa de conquistar participação em um mercado dominado pela Nestlé, também de origem suíça.

Nesta quinta, a Nestlé abrirá uma lista de espera para interessados em comprar a máquina. As vendas começam no dia 1º de dezembro e há previsão de inauguração, até 7 de dezembro, de uma flagship nas imediações da avenida Paulista, em São Paulo.