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‘Nenhum militar vai cometer absurdos e excessos’, diz Bolsonaro

Bruno Villas Bôas e Murillo Camarotto

Após palestra em escola do Exército, no Rio, presidente defendeu projeto que isenta de punições os participantes de operações especiais e fez críticas ao governador Witzel O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta sexta-feira, após participar de evento com militares no Rio, o projeto de lei enviado ao Congresso Nacional que isenta militares e policiais que atuam em operações de Garantia da Lei da Ordem (GLO) de punições.

"Nenhum militar vai cometer absurdos e excessos. Isso não passa pela nossa cabeça", disse o presidente, após participar de palestra na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Urca, zona sul do Rio, que foi fechada para a imprensa. "Possível excesso doloso tem punição."

Questionado se o excludente de ilicitude enquadraria o caso da menina Ágatha Félix, de 8 anos, que foi morta há dois meses por um tiro disparado por um cabo da PM no Complexo do Alemão, no Rio, Bolsonaro evitou a associação do caso.

Em palestra no Rio de Janeiro, Bolsonaro pediu "humildade" a Witzel

Marcos Corrêa/Presidência da República

"Nosso projeto trata de GLO e quem estiver conosco nessa operação. Não é justo um garoto de 20 anos de idade, torce pro Flamengo, tem namorada, vai à praia no fim de semana, e participa de uma operação de GLO, acontece imprevisto em uma área urbana. O que pode acontecer? Se submeter a uma auditoria militar para pegar de 12 a 30 anos de cadeia. Não é justo", disse ele.

O presidente também usou suas redes sociais para defender o projeto. Em sua conta no Twitter, escreveu que "um agente poderá agir contra quem portar ou utilizar ostensivamente arma de fogo"

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O projeto recebe críticas por parte de lideranças políticas e setores da sociedade que entendem que, se aprovada a proposta, os policiais estariam recebendo uma "licença para matar".

Witzel

O presidente também fez críticas ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Bolsonaro afirmou que Witzel precisa ter "humildade para conversar comigo" e voltou a sugerir que o governador teria vazado informações do inquérito do caso Marielle Franco (Psol) para a imprensa.

"Houve vazamento do processo que corria em segredo de Justiça", disse Bolsonaro, após participar da palestra

Questionado se os desentendimentos com o governador do Rio poderiam prejudicar o Estado, Bolsonaro afirmou que, de sua parte, não. O presidente encerrou então a breve entrevista de seis minutos concedida a jornalistas na saída do evento no Rio.

No fim de outubro, Witzel disse que as acusações do presidente sobre vazamento devem ter ocorrido "em um momento de descontrole emocional". O governador negou envolvimento no caso e disse que não teve acesso aos documentos. Diante de novas acusações de Bolsonaro, nesta semana, Witzel chamou as declarações de levianas e afirmou que vai acionar o presidente judicialmente.