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De negros e da periferia: a geração vencedora do boxe que se forjou nas dificuldades

·3 minuto de leitura

Enquanto amanhecia no Brasil, no último domingo, o pugilista Hebert Conceição garantia mais uma medalha para o boxe brasileiro nos Jogos de Tóquio. Eufórico, exclamava: “Eu mereço! É Brasil, é Bahia, é Salvador!”, gritava o soteropolitano, que volta ao ringue amanhã, às 3h18 (de Brasília), contra o russo Gleb Bakschi. Com o bronze garantido, Hebert busca a vitória para sentir um gosto de final que outro baiano, de mesmo sobrenome, experimentou no Rio: Robson Conceição, único campeão olímpico do pugilismo do país.

— Aqui na Bahia, somos um celeiro de talentos para o boxe. Tenho total propriedade para falar que o boxe baiano é o esporte que mais dá resultado — afirma o lutador, que destaca a força dos negros na modalidade. — A seleção olímpica desse ano é muito jovem, mas conta com vasta experiência, principalmente em mundiais. Me sinto feliz em ver que os negros estão conquistando um espaço que é nosso e por devido merecimento.

Não é por menos. Todas as medalhas que colocaram o Brasil no mapa do boxe olímpico foram de negros: Servílio de Oliveira, bronze na Cidade do México-1968; Esquiva Falcão (prata), Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo (bronze), em Londres-2012; e Robson Conceição (ouro), na Rio-2016.

— Com certeza mudou (o tratamento depois de ganhar o ouro). Eu chegava em um restaurante, por exemplo, e não era bem atendido. Depois que conquistei a medalha, todo lugar que vou hoje em dia, a recepção é outra — relembra o campeão.

Esquiva Falcão, hoje no boxe profissional, ressalta como as dificuldades enfrentadas pelos pugilistas no cotidiano impulsiona dentro dos ringues:

— Os grandes campeões do boxe são feitos em periferia. Muhammad Ali, Mike Tyson são frutos de periferia. Acho que eles levam para o ringue a vida deles. Sabem que o esporte é um caminho que devem batalhar. E, dentro da periferia, é onde está a maioria das pessoas negras. É onde estão os mais pobres, não? Negro vai para o esporte sabendo que tem que dar o melhor de si, porque sabe que aquilo é uma saída para vencer na vida — opina o prata de Londres.

Comentarista dos canais ESPN/Fox Sports, o jornalista Eduardo Ohata explica que nos bastidores do boxe questões raciais não são debatidas, muito pelo caráter inclusivo da luta.

— É um esporte das classes mais humildes, até porque é muito fácil praticar. Não precisa de nenhum equipamento especial. E quando você vai para a academia, lá já tem o material. Todo o resto se pode fazer sozinho, como correr e pular corda. É um esporte barato, acessível e, por conta disso, é muito democrática a entrada. O fato de os medalhistas serem negros obviamente representa esse fator também.

Campanha vitoriosa

Em Tóquio, o Brasil já tem três medalhas garantidas, repetindo a campanha de Londres-2012. Ontem, o paulista Abner Teixeira ficou com o bronze ao perder a semifinal dos pesados para o cubano Julio Cesar La Cruz, tetracampeão mundial, ouro no Rio e amplo favorito no combate.

A outra medalha confirmada ontem foi da baiana Beatriz Ferreira, que já tem no mínimo o bronze nos leves. A atual campeã mundial venceu Raykhona Kodirova, do Uzbequistão, por decisão unânime dos árbitros. Mesmo contra uma rival mais alta e de estilo de luta parecido, a brasileira fez valer seu favoritismo.

— São cinco anos treinando para isso aqui. Eu estava pronta. Me senti confiante, confiei nos meus corners. Estava conseguindo executar tudo que eu já tinha pensado — disse ela.

Beatriz já igualou o melhor resultado de uma mulher brasileira na modalidade, o bronze de Adriana Araújo, em 2012. Amanhã, às 2h15 (de Brasília), ela enfrenta a finlandesa Mira Potkonen.

— Já temos três medalhas garantidas. Mas estamos treinando pelo ouro, queremos o lugar mais alto do pódio, mas lógico que já estamos felizes de estar lá — disse ela, ao descer do ringue.

Outro brasileiro, Wanderson de Oliveira (leve) acabou derrotado pelo cubano Andy Cruz, nas quartas.

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