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Negociadores de EUA, México e Canadá dão último impulso ao T-MEC

Subsecretário do México para a América do Norte, Jesús Seade, em Washington DC, em 27 de novembro de 2019

Negociadores de alto escalão de Estados Unidos, México e Canadá se reúnem nesta quarta-feira em Washington para dar os últimos toques ao novo acordo regional de livre-comércio T-MEC (na sigla em espanhol), que deve ser aprovado no Congresso americano.

O principal negociador do México, Jesús Seade, disse que as negociações parecem estar na reta final para a aprovação do Tratado de Estados Unidos, México e Canadá (T-MEC), negociado a pedido do presidente americano Donald Trump para substituir o Nafta, em vigor desde 1994.

Seade e o representante comercial americano (USTR), Robert Lighthizer, se reuniram durante toda a manhã na capital dos EUA para analisar o texto. Ambos falaram por telefone com sua colega canadense, a vice-primeira-ministra e ex-chanceler Chrystia Freeland, que é esperada nesta tarde para uma reunião trilateral.

A reunião presencial desta tarde tem como objetivo revisar as mudanças exigidas pelos legisladores do Partido Democrata dos Estados Unidos, que controlam a Câmara dos Deputados, para incluir disposições mais rigorosas sobre normas trabalhistas e leis ambientais, entre outras reivindicações.

Após árduas negociações, o T-MEC foi selado em novembro passado pelos três países. Mas até agora só foi confirmado em junho pelo Senado mexicano, e o Canadá disse que ratificaria o acordo ao mesmo tempo que Washington.

"Estávamos discutindo as propostas e tudo parece estar indo na direção certa", disse Seade, vice-secretário do México para a América do Norte, à imprensa. "Está na hora de chegarmos a um acordo", acrescentou, apesar de se recusar a especular sobre uma data para aprovação final.

O governo Trump está em duras negociações com o Congresso há meses tentando obter apoio na câmara baixa. O procedimento no Senado, onde o Partido Republicano do presidente tem a maioria, deve ser ágil.

A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, disse na segunda-feira que a discussão melhorou "substancialmente" as condições dos trabalhadores americanos e que ainda resta ver a redação do USTR para a revisão final.

"O rascunho do Nafta 2.0 carecia dos mecanismos de execução concretos e eficazes necessários para garantir que o acordo se tornasse mais do que uma lista de promessas em papel", disse Pelosi, que no início deste mês disse que gostaria que o T-MEC fosse aprovado neste ano.

O novo Nafta modifica as regras sobre comércio automotivo e digital, propriedade intelectual e sistemas de resolução de disputas para investidores, bem como as regulamentações trabalhistas mexicanas. Esse tem sido o ponto de maior atrito com os Estados Unidos, dado que os sindicatos questionaram se o México vai impor as reformas exigidas pelo pacto.

"Quando chegarmos a um acordo, sem dúvidas haverá uma grande melhoria em relação ao assinado originalmente", afirmou Seade.