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Negociações comerciais entre UE e EUA estão estagnadas, diz comissário

Segundo Phil Hogan, EUA estão em fase pré-eleitoral, voltados para seus desafios domésticos As negociações comerciais entre União Europeia e Estados Unidos estão estagnadas, e a avaliação entre os europeus é que qualquer avanço só virá depois de novembro, quando os americanos elegerão um novo presidente.

Em uma reunião com ministros da UE nesta terça-feira, o comissário de Comércio, Phil Hogan, informou que os EUA recuou das conversas para encerrar uma disputa sobre subsídios a aeronaves. A falta de acordo significa que o bloco poderá ser obrigado a aplicar tarifas bilionárias sobre as exportações do país a partir de julho.

Phil Hogan, comissário de Comércio da União Europeia

Virginia Mayo/AP

Hogan disse que os EUA estão em fase pré-eleitoral. Com isso, toda a atenção política em Washington está voltada a desafios domésticos imediatos, como a necessidade de enfrentar a covid-19 e recuperar a economia.

O desejo da UE é renovar uma trégua acertada em julho de 2018. Desde então, a situação se deteriorou, com o presidente americano, Donald Trump, ameaçando impor tarifas sobre a exportação de carros e autopeças europeias.

As ameaças foram renovadas na semana passada, durante um encontro com representantes da indústria da pesca. Trump exigiu que a UE reduzisse as tarifas sobre as importações de lagostas americanas “imediatamente”. Caso contrário, aplicaria taxas sobre os carros europeus.

A retórica foi a mesma utilizada ao se referir à China. Desde a campanha, Trump diz que os acordos dos Estados Unidos com outros países e blocos são prejudiciais aos americanos. Ele também diz que os EUA estão sendo “roubados” pelos parceiros comerciais.

Hogan disse nesta terça-feira aos ministros da UE para esperar que esse tipo de retórica seja mantida.

No ano passado, os EUA foram autorizados a impor tarifas sobre US$ 7,5 bilhões em exportações europeias em retaliação por subsídios dados à Airbus. Hogan disse esperar que a Organização Mundial do Comércio (OMC) decida no início de julho sobre uma reclamação similar envolvendo ajuda americana à Boeing.

Para o comissário de Comércio da UE, as duas partes estão muito distantes de um acordo. Se os EUA não mudem de postura, Hogan avalia que a UE não terá alternativa a não ser exercer o direito de aplicar sanções relativas ao caso Boeing.