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Negociação de carteiras de títulos dispara nos Estados Unidos

Jenny Surane e Matthew Leising

(Bloomberg) -- Peter Chalif lembra de seus primeiros dias no Citigroup, quando negociar uma grande cesta de títulos de dívida envolvia horas de trabalho com caneta e papel. Agora, ele comanda uma equipe que consegue o mesmo feito em questão de segundos.

Chalif credita grande parte da mudança às negociações de carteiras apoiadas em tecnologia, o que tem trazido uma velocidade para o mercado de títulos que passa despercebida por traders de renda variável, já acostumados com operações rápidas. Bancos esperam que a estratégia ajude a ganhar uma fatia maior de uma torta cada vez menor em renda fixa, mesmo que isso afete as margens de lucro do setor.

As mesas de renda fixa de Wall Street executaram pelo menos US$ 88 bilhões nesse tipo de negociação este ano, segundo análise do Morgan Stanley. O volume se compara a praticamente zero dois anos atrás. No Citigroup, o banco diz que operou negociações de portfólio que ultrapassam US$ 1 bilhão desde o lançamento da tecnologia este ano, e que negocia regularmente blocos de títulos na faixa de US$ 200 milhões a US$ 500 milhões.

No início dos anos 2000, “o operador-chefe compilava manualmente o valor de cada título e somava tudo no final - era incrivelmente manual”, disse Chalif, que agora é cochefe de negociação beta, eletrônica e algorítmica da unidade de produtos de spread global do Citigroup. “Os clientes agora adotam negociação de portfólio, negociação eletrônica e outras tecnologias, e estão começando a ficar empolgados com o que podem realizar.”

Não são apenas os volumes que estão aumentando. A receita do setor com a negociação de carteiras, que foi estreada pelo Goldman Sachs, deve chegar a US$ 400 milhões este ano, em comparação com US$ 150 milhões a US$ 200 milhões no ano passado, segundo Amrit Shahani, diretor de pesquisa da consultoria Coalition, com foco no setor bancário.

O aumento da negociação de carteiras “tem sido uma progressão natural para os mercados de títulos”, disse Jim DeMare, cochefe de trading de renda fixa no Bank of America. A empresa disse que possui vários funcionários dedicados ao negócio, em comparação com apenas um há 18 meses. A unidade recebe pedidos para precificar até 11 negociações de carteiras de títulos corporativos nos EUA por dia. A maioria tem um volume entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões, mas algumas chegam a vários bilhões de dólares, segundo o banco.

--Com a colaboração de Rachel Evans e Lananh Nguyen.

Repórteres da matéria original: Jenny Surane em Nova York, jsurane4@bloomberg.net;Matthew Leising Los Angeles, mleising@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Michael Moore, mmoore55@bloomberg.net, Steve Dickson, Daniel Taub

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