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Necessidade de crescimento econômico estimula dependência da Índia ao carvão

·3 min de leitura
Nova Délhi, capital da Índia, coberta por névoa, em 5 de novembro de 2021 (AFP/Prakash SINGH)

Mesmo com sua capital coberta pela poluição, a Índia foi a principal responsável por enfraquecer os compromissos voltados para erradicar o uso do carvão na cúpula do clima COP26, priorizando seu crescimento econômico em detrimento do futuro do planeta - afirmam especialistas.

O terceiro maior emissor mundial de CO2 se aliou com a China para baixar o tom das negociações sobre os combustíveis fósseis na cúpula de Glasgow, o que levou o acordo final a pedir a redução do uso de carvão, e não sua erradicação.

A resistência da Índia em suprimir essa energia poluente se deve à necessidade de contar com um combustível barato para promover sua economia em crescimento e, com isso, tirar milhões de pessoas da pobreza.

"Temos uma enorme população que ainda não atingiu um padrão de vida mínimo", disse à AFP Samrat Sengupta, especialista em mudança climática do Centro para a Ciência e o Meio Ambiente, de Nova Délhi.

O consumo de carvão quase duplicou na última década, superado apenas pela China, com este combustível abastecendo 70% da rede elétrica indiana.

O governo evitou adotar regulamentações mais severas para as usinas movidas a carvão e, no ano passado, anunciou uma série de leilões de mineração para aumentar sua produção.

Embora o primeiro-ministro Narendra Modi tenha se comprometido a reduzir a dependência de seu país do carvão, isso ficará para o longuíssimo prazo. Em Glasgow, Modi afirmou que a Índia buscará alcançar a neutralidade de carbono apenas em 2070, uma década depois da China e 20 anos depois de outros grandes emissores.

Sem uma ação decisiva antes, porém, os especialistas dizem que as emissões indianas crescerão nos próximos anos, minando os esforços globais para conter o aquecimento global, com consequências catastróficas.

- Metas difíceis -

Os efeitos da dependência indiana nos combustíveis fósseis são evidentes, com uma espessa névoa cinza que envolve Nova Délhi a cada inverno. As emissões de usinas de carvão e dos automóveis combinadas com a fumaça de incêndios agrícolas sufocam esta megacidade de 20 milhões de pessoas.

No mesmo dia em que os delegados da COP26 finalizaram seu acordo climático, Nova Délhi ordenou que as escolas fechassem por uma semana para que as crianças não tivessem que sair por causa da poluição.

A fumaça é responsável por mais de um milhão de mortes ao ano na Índia, e um estudo recente da Universidade de Chicago descobriu que a poluição do ar pode reduzir em mais de nove anos a expectativa de vida de quatro indianos a cada dez.

O governo Modi busca mitigar o problema, aumentando as energias renováveis, e espera que a energia solar tenha o mesmo peso do carvão na matriz elétrica até o final desta década.

A Índia ainda não tem, porém, capacidade tecnológica para atender à demanda de painéis solares. Por isso, dependerá de componentes importados de maior custo.

A previsão da energia solar para 2030 "é uma meta enorme a ser alcançada", disse Sengupta. "Requer muito financiamento barato e disponibilidade de tecnologias", completou.

A Índia argumentou que poluidores históricos, como Estados Unidos e Europa, devem fornecer conhecimento técnico e financiamento para a mitigação climática.

Em declaração na COP26, o ministro indiano do Meio Ambiente, Bhupender Yadav, disse que os países em desenvolvimento "têm direito ao uso responsável de combustíveis fósseis".

Ele considerou que países com pouca responsabilidade histórica pela mudança climática não deveriam ter de cumprir as mesmas exigências que os grandes emissores.

"Em tal situação, como esperar que os países em desenvolvimento se comprometam a eliminar gradualmente os subsídios ao carvão e aos combustíveis fósseis?", questionou.

O acordo da COP26 foi adotado com reservas por outras nações, que queriam concluir o pacto após duas semanas de maratônicas negociações.

Outros países em desenvolvimento, incluindo nações insulares do Pacífico que enfrentam a ameaça do aumento do nível do mar pelo aquecimento global, ficaram furiosas com a ideia de que a intervenção da Índia foi feita pensando neles.

Expressamos "não apenas nossa surpresa, mas uma imensa decepção pela maneira como isso foi apresentado", declarou Aiyaz Sayed-Khaiyum, procurador-geral da República de Fiji, na Oceania.

abh/gle/dva/mas/zm/tt

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