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Nebulosa que intrigou cientistas por 16 anos se formou por "canibalismo estelar"

Daniele Cavalcante
·4 minuto de leitura

Localizada a cerca de 6.300 anos-luz de distância, a TYC 2597-735-1 parecia uma estrela como outra qualquer, dentro de uma nebulosa esquisita. Porém, dados do observatório espacial Galaxy Evolution Explorer (GALEX) mostram que ela está cercada por um anel azul difuso com uma dúzia de anos-luz de diâmetro, o que deixou os astrônomos perplexos, pois nada parecia explicar a origem da nebulosa. Mas uma olhada mais cautelosa matou a charada, e agora os cientistas parecem entender melhor como ela se formou.

As novas observações mostraram que existem curvas finas de material em cada lado do anel, formado por gás hidrogênio. Essas curvas são mais quentes e mais densas, e revelaram que o anel é, na verdade, uma estrutura ainda mais complexa em forma de dois cones, um de cada lado da estrela. Parece um anel porque neste ângulo estamos olhando para a abertura mais larga de um dos cones.

A estrela TYC 2597-735-1 e o disco que, neste ângulo, se assemelha a um "anel" (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/M. Seibert/K. Hoadley/GALEX Team)
A estrela TYC 2597-735-1 e o disco que, neste ângulo, se assemelha a um "anel" (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/M. Seibert/K. Hoadley/GALEX Team)

Mas o que poderia ter criado uma estrutura como esta? Bem, um grupo de astrônomos publicou um artigo que apresenta uma hipótese bastante convincente de que se trata de um caso de canibalismo estelar — ou seja, um antigo sistema binário de estrelas que orbitavam entre si até que uma delas devorou sua companheira.

Uma delas (a primária) seria semelhante ao Sol, embora mais velha, enquanto a segunda (a secundária) teria massa muito inferior, provavelmente uma anã vermelha com cerca de 1/10 de massa solar. Toda estrela semelhante ao Sol está destinada a envelhecer e inchar, tornando-se uma gigante vermelha, e foi isso o que aconteceu no caso deste sistema. Enquanto se expandia mais e mais, sua superfície ficou cada vez mais perto da anã vermelha.

Isso vez com que todo o material de expansão da gigante vermelha começasse a ser puxado para a estrela secundária. Acontece que esse fluxo foi tão forte que a pobre anã vermelha não conseguia segurar tudo, e esse gás acabou formando um disco circumbinário — ou seja, um disco largo ao redor de ambas as estrelas. O processo roubou a energia rotacional da dupla, e assim a estrela secundária começou a espiralar rumo à primária, até que elas colidiram, resultando em uma fusão.

Um diagrama com a nebulosa em dois diferentes ângulos revela sua real forma (Imagem: Reprodução/Mark Seibert)
Um diagrama com a nebulosa em dois diferentes ângulos revela sua real forma (Imagem: Reprodução/Mark Seibert)

A colisão entre duas estrelas costuma ser um evento cataclísmico, mesmo quando elas não são muito grandes. Após devorar sua companheira, a estrela primária acabou explodindo, ejetando uma quantidade de gás e poeira (não está claro neste ponto como foi a liberação de poeira, mas é possível que tenha sido uma nuvem bem espessa). Felizmente para nossa estrela, não foi seu fim. Não por enquanto; ela agora vive o estágio pós-fusão, que não deve durar muito.

Quando os astrônomos olham agora para a TYC 2597-735-1, estão provavelmente vendo como ela estava há cerca de mil anos após o evento da fusão (considerando a distância e o tempo que sua luz leva para chegar até a Terra). É tempo o suficiente para que civilizações terrestres caiam e outras nasçam, mas para uma estrela que vive alguns bilhões de anos, é um piscar de olhos. Com a colisão, ela passou a girar mais rápido e sua superfície se agita com toda a atividade que acontece por lá, como o material do disco caindo sobre ela.

Além disso, ela sopra um vento de gás que está se movendo a inimagináveis 400 km/s. Porém, não em todas as direções, porque o disco bloqueia o caminho. Então, o vento desviou, fluindo para cima e para baixo, perpendicular ao disco. O resultado é o gás formando a nebulosa na forma de dois cones apontados para fora.

Descobrir a real forma daquilo que antes parecia um anel foi um grande passo para a astronomia, e marca o fim de um mistério que durou 16 anos, desde que os astrônomos ficaram perplexos com a nebulosa. É que esse tipo de estrela, vivendo o evento pós-colisão estelar, é um tanto difícil de se encontrar. Na verdade, este é o mais jovem caso conhecido de duas estrelas fundidas em uma.

De acordo com a NASA, fusões estelares podem ocorrer uma vez a cada 10 anos na Via Láctea, e isso significa que muitas estrelas que vemos hoje no céu já um sistema binário, muito tempo atrás. Também já conhecemos muitos sistemas binários que podem se fundir algum dia, mas pouco se sabe sobre o que acontece logo após a colisão. Agora, esta nebulosa, conhecida como Blue Ring Nebula, oferece aos cientistas dados valiosos sobre o tema.

Fonte: Canaltech

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