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Navios com cargas ilícitas saem dos portos sem dizer aonde vão, diz autor do livro 'Oceano Sem Lei'

·4 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto os aviões que cruzam os continentes são monitorados de perto, os navios deixam os portos e navegam pelos mares muitas vezes sem dar satisfações sobre suas rotas e intenções. Isso abre margem para a prática de vários crimes em alto mar, como pesca predatória, trabalho análogo à escravidão e tráfego de armas, avalia o jornalista Ian Urbina.

"Um Boeing 747 não pode ficar vagando pelo mundo sem rumo, mas navios sim. E eles podem levar cargas ilegais, armas e desrespeitar regras trabalhistas sem serem incomodados", comenta Urbina à reportagem.

Urbina, 49, é jornalista americano e autor de "Oceano sem Lei", livro que reúne histórias apuradas ao longo de três anos de viagens por alto-mar. Na obra, ele mostra como os oceanos, embora ocupem dois terços da superfície terrestre, são pouco vigiados, tanto por governos quanto pela imprensa.

Para ele, a diferença de controle entre a aviação e a navegação ocorre por conta dos ataques de 11 de setembro. "Se tivessem usado um navio enorme para atacar Manhattan ou Los Angeles, o controle sobre as embarcações seria muito maior hoje".

O livro começa com a história da perseguição a um enorme pesqueiro ilegal, que embora estivesse na lista de captura da Interpol, seguia lançando redes nas águas da Antártida. Coube a uma ONG ambientalista ir caçá-lo e seguí-lo durante meses, para tentar criar um flagrante. A embarcação trocava de nome, de bandeira e de dono com frequência, para despistar investigadores e driblar as leis.

Ganhador de um prêmio Pulitzer e colaborador do New York Times, o autor descreve em detalhes o funcionamento de embarcações que atuam em águas internacionais, colocando redes de pesca gigantescas, com vários quilômetros de extensão, capazes de arrastar junto muitos animais além dos peixes que eram o alvo original. Essa atuação predatória afeta o planeta como um todo.

"Os oceanos são como um pulmão da Terra, que produzem e limpam 50% do ar que respiramos, e isso só ocorre porque há diversidade de vida neles. Se os oceanos morrerem e se tornarem como um deserto, sem peixes, algas e corais, eles não vão mais poder funcionar como um sugador de carbono", alerta.

Assim como as espécies, os trabalhadores marinhos também estão ameaçados. O livro relata jornadas de funcionários que trabalham em condições próximas à escravidão. Muitos deles são aliciados em países pobres do Sudeste Asiático e acabam passando meses no mar, trabalhando longas horas em funções perigosas, como puxar as enormes redes das águas.

Em muitos casos, os barcos de pesca e seus trabalhadores ficam vagando no mar por longos períodos, e outras embarcações vão até eles para recolher os peixes capturados e deixar suprimentos. Parte dos marinheiros vem de áreas rurais, e são forçados a trabalhar para pagar dívidas com aliciadores e donos dos barcos, que nunca se encerram.

No ano passado, com a pandemia de Covid, a situação dos marinheiros ficou mais complicada. No começo da crise, muitos países fecharam seus portos e deixaram a tripulação dos barcos sem poder voltar para casa, conta Urbina. Nos meses seguintes, muitas empresas donas dos navios faliram, e tripulações ficaram sem ter de quem cobrar salários atrasados ou pedir ajuda para voltar para casa. O problema segue presente.

Um dos trechos do livro se passa no litoral brasileiro, em 2017. O autor se juntou a uma missão do Greenpeace para fotografar corais e, assim, tentar levar o governo a rever autorizações para exploração de petróleo submarino.

Na década passada, as reservas do pré-sal foram divulgadas pelos governos como um tesouro, que seria capaz de enriquecer o Brasil. No entanto, alguns anos depois, o país viveu sua pior crise econômica a partir de 2014, acompanhada de uma crise política.

Para ele, a questão entre investir em recursos poluentes e preservar a natureza deve ser vista no longo prazo. "Certamente haverá ganhos imediatos com a exploração de petróleo, mas é preciso ver os problemas que isso pode gerar no futuro, e também se essa riqueza será distribuída para a sociedade. O dinheiro vai de fato ser usado em novas estradas, escolas, hospitais, para o combate à Covid, ou servirá para enriquecer os mesmos grupos de sempre?", questiona.

OCEANO SEM LEI

Preço: R$ 79,90 (592 págs.)

Autor: Ian Urbina

Editora: Intrínseca

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