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Navegador Brave completa URLs com links patrocinados e irrita usuários

Douglas Ciriaco

Quando você começa a digitar um endereço no navegador, é comum que ele ofereça uma opção de autocompletar para facilitar o processo. O Brave, porém, acabou sendo "prestativo demais" nesse sentido e por vezes adicionou um link patrocinado para completar a URL de alguns sites específicos acessados por seus usuários.

A denúncia foi feita no Twitter por um usuário do programa, que mostrou como o navegador incluiu informações de afiliação automaticamente e sem autorização quando o site de comercialização de criptomoedas Binance.us era acessad — o link, então, virava binance.us/en?ref=35089877, segundo o utilizador.


Essa informação depois do "?" é um código usado por uma página da web para identificar a origem do tráfego. Quando se trata de uma parceria comercial, como é o caso, isso rende comissão ao local de orgem e é totalmente legítimo e amplamente utilizado por veículos de toda a web — inclusive o Canaltech, em nossas páginas com ofertas, por exemplo.

Porém, quando tudo é feito de maneira correta, fica claro para o leitor/usuário que se trata de um link patrocinado. No caso do Brave, o código de afiliação era adicionado à revelia, sem ação do usuário, e provavelmente rendia alguns trocados para os responsáveis pelo navegador quando alguma transação era completada.

O caso fica ainda mais grave quando lembramos que o Brave é um navegador que se vende como focado em segurança e privacidade, prometendo não reter qualquer informação de seu público e oferecendo um esquema de visualização de anúncios que geram criptomoedas como forma de compensar esse fato. Normalmente, todas essas medidas diferentonas para arrecadar dinheiro só são realizadas com a concordância do usuário — o que não foi o caso desta vez.

Companhia se defende

Pelo Twitter, o criador e CEO do Brave, o desenvolvedor Brendan Eich, confirmou que a sua empresa e o site Binance.us são parceiros, mas garantiu que se tratou de um erro que será corrigido e não se repetirá.

“Somos parceiros do Binance, avisamos o usuário por meio de um widget de anuência em uma página de nova aba, mas o autocompletar não deveria adicionar qualquer código”, escreveu no início de uma série de publicações no Twitter.


Respondendo a um usuário que reclamou da longa explicação em vez de um simples pedido de desculpa após um “sério erro de julgamento”, Eich afirmou que “um sério erro de julgamento precisa de explicação”. Além disso, o executivo prometeu que o Brave “nunca revisará os domínios digitados novamente”.


Se isso de fato vai acontecer, só o tempo dirá. É inegável, porém, que um problema assim abala o estandarte de navegador com foco em privacidade do Brave.

Fonte: Canaltech