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Natura escolhe ex-banqueiro como presidente para voltar ao lucro

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Quando estava no mercado financeiro, diziam que eu era um banqueiro ligado ao verde. Agora, em uma empresa com forte viés de sustentabilidade, eu sou banqueiro. Difícil uma definição", brinca Fabio Barbosa, 67, o novo presidente do grupo Natura&Co, em entrevista à reportagem.

Barbosa é ex-presidente do Santander e da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). É sócio da Gávea Investimentos e membro do conselho da Fundação das Nações Unidas.

O executivo foi anunciado no novo cargo nesta quarta-feira (15), em substituição a Roberto Marques, que estava no comando da Natura desde 2016. Marques passa a ocupar uma cadeira no conselho de administração da multinacional brasileira, lugar antes ocupado pelo próprio Barbosa, que também era presidente do comitê de Pessoas da empresa.

À frente da fabricante de cosméticos e perfumes, a missão de Fabio Barbosa é trazer a empresa de volta ao foco do negócio. Na visão de consultores e analistas de mercado, a companhia ficou grande demais depois de incorporar a Avon em 2019 e perdeu o foco no lucro, ao abraçar muitas causas socioambientais.

Dona de quatro grandes marcas –a brasileira Natura, a americana Avon, a australiana Aesop e a britânica The Body Shop–, a Natura amargou prejuízo de R$ 643,1 milhões no primeiro trimestre deste ano (o dobro do projetado por algumas casas de análise como a Goldman Sachs).

Em 2021, a empresa registrou lucro de R$ 1,048 bilhão, puxado por efeitos fiscais registrados no último trimestre do ano, segundo a analista da XP, Danniela Eiger. No ano, a receita líquida atingiu R$ 40,2 bilhões.

"É um período desafiador para a companhia, tendo em vista o movimento inflacionário no mundo e particularmente no Brasil, que inibe o consumo, a incorporação da Avon, cujas sinergias ainda não foram capturadas e os resultados só devem ser apresentados em 2024, além da guerra da Rússia na Ucrânia, mercados que representam 20% das vendas da Avon Internacional", diz Danniela, que vê a indicação de Barbosa como um ponto positivo.

"O cenário não deve mudar muito nos resultados deste segundo trimestre, mas acredito que o novo CEO vai ter uma posição de empoderar as unidades de negócios e as marcas no mundo, para uma gestão mais ágil e descentralizada", afirma.

Na opinião do consultor André Pimentel, sócio da Performa Partners, a mudança de comando é boa e vem com algum atraso. "A Natura se tornou uma gigante complexa e burocratizada, com muitas especificidades em cada mercado onde atua, e acabou perdendo o foco no negócio dela, que é produzir e vender cosméticos", diz ele.

Para Pimentel, a empresa quis abraçar muitas causas ambientais ao mesmo tempo, em detrimento da eficiência e da rentabilidade. A ação da companhia registrou queda de 74% nos últimos 12 meses, cerca de 40% só este ano. "É ótimo ser uma empresa amiga da natureza, mas ninguém vai continuar salvando a Amazônia se não tiver lucro."

O consultor ressalta que não se trata de deixar a identidade da companhia, muito vinculada aos conceitos ESG (de governança ambiental, social e corporativa) desde a sua fundação, em 1969. "Mas é preciso uma dose de pragmatismo e realidade, que o Fabio Barbosa com certeza vai trazer à empresa", diz.

"Não é possível uma companhia que tenha posições como ‘líder de crescimento sustentável’ e ‘líder de transformação’", diz Pimentel, referindo-se a cargos que deixarão de existir na nova estrutura corporativa da Natura, sob o comando de Barbosa. "Estas são funções que todos os executivos do alto escalão devem ter."

Barbosa se mostra animado com o desafio. "São quatro empresas com uma história incrível e um futuro brilhante", diz ele, referindo-se à Natura, Avon, Aesop e The Body Shop. "Agora vamos trazer mais agilidade na estrutura e fortalecer as marcas com mais autonomia e responsabilidade."

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