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Vai passar o Natal sozinho? Veja como tornar esse período menos sofrível

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura

Em tempos normais - ou seja, bem distantes da pandemia de coronavírus -, as festas de fim de ano são um tempo de comemoração, de união e, principalmente, de afeto. No entanto, 2020 está longe de ser um ano típico, por isso, há de se considerar que muita gente vai passar o Natal, data tão significativa para o brasileiro, sozinho. Seria possível tornar esse momento menos sofrível?

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Para a psiquiatra Maria Francisca Mauro, sentir-se solitário durante esse feriado em específico é muito comum porque o Brasil, como um país majoritariamente católico, valoriza o que ele representa: a tradição familiar. "Esta época desperta em alguns uma maior necessidade de participar de rituais e encontrar conforto emocional e acolhimento. Para os que se sentem mais sozinhos, seja por perdas de familiares ou escolhas de vida, essa percepção pode ficar acentuada", diz ela.

De acordo com a profissional, enfrentar a própria solidão é um grande desafio para muitos de nós, já que com o acelero do dia a dia (principalmente pré-pandemia e isolamento social), ele pode passar despercebido. Quando chega o recesso de fim de ano, as pessoas podem dar de cara com o que, de fato, sentem falta.

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"Lidar com a solidão é conseguir perceber o que se tem internamente, ampliar a capacidade de refletir e precisar menos de estímulos externos para encontrar conforto", explica. "Não se desesperar e perceber um profundo silêncio interno pode ser o primeiro passo para não criar barulhos que apenas distraem."

Como lidar com a solidão no Natal em tempos de pandemia?

De fato, não parece simples. E vai exigir, de cada um, um trabalho interno de autoconsciência e auto-observação - especialmente se ficar em casa foi uma escolha por conta do cenário atual.

"Cada um deve ponderar sua decisão e ver quais são as repercussões", diz a psiquiatra. "Ao perceber que, devido ao seu próprio risco clínico, ou mesmo de familiares, a decisão mais acertada é se manter sozinho, faça-o. Em vez de ser encarada como uma perda, a escolha pode ser vista como ganho, uma forma de não criar uma tragédia familiar. Tornar este momento menos sofrível dependerá de como a pessoa está se confrontando com sua decisão."

Para isso, ela explica que ter a clareza de que existem regiões do país com leitos de UTI lotados, e arriscar um encontro familiar pode significar se deparar com o sistema de saúde saturado é algo que, também, pode ajudar a tornar a decisão menos complexa e sem esse viés de perda.

Outra ideia é usar a oportunidade para montar uma celebração por si só, de forma que a data não passe despercebida. "Sem dúvida, organizar uma pequena ceia sozinho, encomendar comida ou cozinhar, para os que gostam, pode alegrar a casa. Se tiver oportunidade, compartilhe tudo isso virtualmente com os familiares e amigos que estão atravessando o mesmo momento. Não sofra pelas ausências e conforte-se com o que tem", diz.

Estabilidade emocional é algo construído

Outro ponto importante levantado pela psiquiatra é que muitas pessoas sentem o baque no momento em que o Natal se aproxima e buscam compreender como se livrar das sensações de solidão de uma hora para a outra. No entanto, estabilidade emocional é algo que se constrói e não uma chave a ser mudada quando se quer.

"O emocional não é uma caixa que abrimos ocasionalmente. Devemos cuidar diariamente dele", explica. "Aos que estão muito assustados devido às dificuldades e incertezas do momento, é necessário sabedoria. Somente um exercício emocional de ponderar, conseguir ver em perspectiva e com um certo otimismo pode dar proteção para o desamparo."

Um exercício que, no entanto, é possível de ser praticado para quem ainda está no começo dessa jornada é evitar comparar a sua vida com a dos outros - principalmente se a janela que você tem usado para observar as outas pessoas se resume ao Instagram, por exemplo. "Talvez valha não ficar colado nas redes sociais, esperando ter conforto emocional por ali. Provavelmente, ver imagens dos que estarão felizes, celebrando, pode fazer você se sentir excluído. Afaste-se também de pessoas nocivas e que te depreciam. Cuide ainda de sua mente e de seu corpo. Não se exceda na comida, na bebida ou no uso de alguma substância em busca das respostas que precisa", aconselha Maria.

No mais, vale lembrar da importância, ao se auto-observar, de identificar quando as suas sensações estão passando daquilo que é aceitável. "O sentimento de solidão não brota do nada. A pessoa que sente uma angústia muito forte deve ficar mais atenta. É preciso identificar se tem uma rede de proteção, como amigos e família, ou se conta com outras pessoas que, de certa forma, oferecem um certo alívio emocional", diz a profissional.

Ter uma rede de apoio próxima é sempre essencial para buscar suporte nos momentos de dificuldade e compartilhar os de alegria, no entanto, se você se sente desamparado agora, pode buscar suporte por meio do CVV, o Centro de Valorização à Vida, discando 188 gratuitamente de qualquer telefone, a qualquer hora do dia e da noite.

"Em muitos casos, esse sentimento invade como uma angústia que não cessa. Se acontecer, será preciso parar e sair desta espiral ruim. Seja através de lembranças do que já viveu e foi positivo, de sua história de vida ou do que ainda pode construir. Não acumule sentimentos ruins. Aprenda a cuidar do seu desconforto emocional de forma reflexiva, conduzindo pensamentos e emoções de maneira mais otimista. Se nada adiantar, uma possibilidade é buscar a ajuda de um psicoterapeuta", finaliza a psiquiatra.

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