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NASA usa bactérias para ajudar árvores a remover poluentes da água

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A NASA trabalha em um método inovador que usa micróbios para aumentar a eficiência das árvores na remoção de poluentes do meio-ambiente. O estudo começou em 2013 no Centro de Pesquisa Ames, que fica no Vale do Silício, e agora está presente em 30 locais de remediação ambiental nos Estados Unidos.

Estacas de álamos de 30 centímetros inoculadas com a bactérias endófitas (Imagem: Reprodução/Intrinsyx Environmental)
Estacas de álamos de 30 centímetros inoculadas com a bactérias endófitas (Imagem: Reprodução/Intrinsyx Environmental)

A fitorremediação é um processo já bastante conhecido, que usa plantas como agentes de purificação de ambientes aquáticos e terrestres. Em 2012, o pesquisador John Freeman, da empresa de engenharia e biociência Intrinsyx Technologies, conduzia experimentos de crescimento de mudas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) e outras atividades da Divisão de Biociências do Ames, quando se inspirou no trabalho de um professor da Universidade de Washington.

O trabalho consistia em isolar cepas de bactérias simbióticas — que dependem de outro organismo para viver —, as endófitas, que ajudam as árvores a quebrar contaminantes específicos.

O Ames, até então, bombeava e tratava as águas subterrâneas contaminadas que fluíam abaixo do centro, que vinham de uma ex-fabricante de chips vizinha, até que Freeman entrou em contato com a NASA oferecendo sua pesquisa como uma solução alternativa.

Ampliando o estudo

O pesquisador entregou centenas de brotos de álamo inoculados com uma cepa da bactéria PDN3. Esse organismo se alimenta de tricloroetileno (TCE), principal substância a contaminar as águas subterrâneas do centro e em locais de limpeza ambiental.

Os dois poços de testes instalados no bosque do Ames (Imagem: Reprodução/Google Earth/Jennie Mitchell)
Os dois poços de testes instalados no bosque do Ames (Imagem: Reprodução/Google Earth/Jennie Mitchell)

Quando as raízes cresceram o suficiente para alcançar o lençol freático em 2016, o Ames instalou poços de teste em cada extremidade do bosque, testando a água subterrânea antes e após passar por ali. O trabalho de Freeman só havia sido testado em laboratório e os resultados de campo foram surpreendentes.

Quando a água entrava no bosque, ela continha uma concentração de TCE de 300 partes por milhão (ppm), mas a concentração da substância na água da saída estava abaixo do padrão para água potável, 5 ppm. Outra característica importante, foi o aspecto das árvores.

Enquanto as árvores inoculadas com as bactérias se mantinham saudáveis e verdes com baixíssimos níveis de TCE, as árvores sem o microrganismo, usadas como grupo de controle, ficaram atrofiadas e amareladas. Além disso, suas concentrações de TCE eram quase tão altas quanto a água não tratada do subsolo.

As fileiras mais verdes e saudáveis são as plantas com bactéria inoculada, enquanto as amareladas, atrofiadas, não (Imagem: Reprodução/Intrinsyx Environmental)
As fileiras mais verdes e saudáveis são as plantas com bactéria inoculada, enquanto as amareladas, atrofiadas, não (Imagem: Reprodução/Intrinsyx Environmental)

Com o sucesso dos resultados, a Intrinsyx Technologies fundou a divisão Intrinsyx Environmental, sediada em Mountain View, Califórnia, para liderar o projeto. O Ames se tornou o seu primeiro cliente e em 2017 comprou mais 50 árvores com a bactéria.

Atualmente, a Intrinsyx Technologies cultiva plantações de choupos (como também são chamados os álamos), salgueiros e outras árvores inoculadas com bactérias endófitas, capazes de consumir TCE e outros derivados do petróleo em diversas partes dos EUA.

Este é mais um exemplo das soluções desenvolvidas pela NASA pensando no espaço que foram eventualmente aplicadas à Terra, através de seu programa de Transferência de Tecnologia na Diretoria de Missão de Tecnologia Espacial (STMD, na sigla em inglês).

Fonte: Canaltech

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