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NASA se prepara para "reta final" da missão das sondas Voyager

Já se passaram mais de 40 anos desde o lançamento das sondas Voyager 1 e 2, que seguem viajando pelo espaço e que, após tanto tempo e descobertas, se aproximam do fim de suas respectivas jornadas. A NASA planeja começar a desativar alguns dos sistemas das sondas ainda neste ano, dedicando o restante de suas reservas energéticas a uma possível extensão da missão até meados da década de 2030.

A dupla de sondas gêmeas foi lançada em 1977, com apenas 15 dias de intervalo entre os lançamentos. Desde então, elas passaram décadas viajando pelo espaço e transmitindo dados à Terra, chegando mais longe e durando mais tempo que qualquer outra espaçonave já lançada na história — além de fascinantes, estas marcas ficam ainda mais surpreendentes se considerarmos que elas foram projetadas para durar apenas 4 anos.

Estrutura da Voyager 2 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
Estrutura da Voyager 2 (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Com o fim da jornada das Voyager se aproximando, os cientistas que trabalharam na concepção da missão enfrentam o fim de um projeto que excedeu todo tipo de expectativa. “Já chegamos a 44 anos e meio”, comemorou Ralph McNutt, físico que dedicou grande parte da sua carreira às Voyager. “Chegamos a 10 vezes a ‘garantia’ destas coisas”, comentou, em entrevista à Scientific American.

No momento, a Voyager 2 ainda tem cinco instrumentos funcionando, e a Voyager 1, quatro. Todos são alimentados por um dispositivo que converte o calor do decaimento radioativo do plutônio em eletricidade, e a quantidade de energia elétrica produzida está caindo a uma taxa de quase 4 watts por ano. É provável que os últimos instrumentos desativados sejam o magnetômetro e outro, dedicado a estudos científicos do plasma.

Linda Spilker, cientista planetária do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, estima que ambas ainda podem ter mais alguns anos de operação pela frente. “Se tudo correr realmente bem, talvez consigamos estender as missões até a década de 2030”, sugeriu ela. “Depende somente da energia, este é o ponto limitante”.

Versão remasterizada do "Pálido Ponto Azul", foto da Terra feita pela Voyager 1 a 6 bilhões de quilômetros do Sol (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
Versão remasterizada do "Pálido Ponto Azul", foto da Terra feita pela Voyager 1 a 6 bilhões de quilômetros do Sol (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Originalmente, as sondas Voyager foram projetadas para estudar Júpiter, Saturno e algumas de suas luas próximas. Logo no início da viagem, elas surpreenderam pesquisadores com a descoberta de vulcões ativos na lua Io e os detalhes dos anéis de Saturno. Em 2012, a Voyager 1 fez história ao entrar no espaço interestelar, a região composta pelo material ejetado por estrelas próximas, que morreram há milhões de anos.

Já a Voyager 2 chegou ao espaço interestelar em 2018. Hoje, ambas estão tão distantes da Terra que sinais de rádio, viajando à velocidade da luz, levam mais de 20 horas para alcançar a Voyager 1 e cerca de 18 para chegar à Voyager 2. Elas se comunicam com a Terra por meio da Deep Space Network, uma rede de instalações de monitoramento em diferentes lugares do nosso planeta, que permitem a comunicação ininterrupta com naves espaciais.

Fonte: Canaltech

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