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NASA mostra conceito de nave lunar que pode reduzir custo das futuras missões

Daniele Cavalcante

Para tornar mais confiáveis e baratos os pousos lunares do programa Artemis, pesquisadores da NASA criaram um conceito um pouco diferente de alunissagem dos rovers - uma espécie de plataforma, que lembra os tradicionais paletes usados para transportes de cargas. A ideia torna mais simples o envio de veículos espaciais e cargas úteis à superfície da Lua.

O programa Artemis tem como objetivo não apenas levar o Homem de volta à Lua, como manter a presença por lá. Para isso, a NASA já tem quase 40 missões planejadas, mas nem todas são tripuladas. Em 2024, por exemplo, a agência espacial lançará até sete missões para levar rovers e landers para conduzir experimentos científicos. E um novo artigo técnico publicado nesta segunda-feira (25) mostra o “palete espacial” pode ajudar bastante nessa tarefa.

Esse projeto ainda é um conceito e não tem nome (chamaremos de “palete espacial”, por enquanto), mas transmite bem a ideia. Trata-se de uma estrutura básica, porém bem sólida, que serviria como uma unidade para muitas missões de transporte de carga. Seu design é uma evolução dos estudos voltados à missão VIPER, o veículo lunar que a NASA deve enviar à Lua em dezembro de 2022.

No documento, os pesquisadores não se preocupam em esconder que um dos objetivos de criar o “palete espacial” é economizar e acelerar o cronograma - ou seja, custos foram colocados acima do desempenho. Claro, eles não estão propondo algo cujo o resultado pode comprometer a missão. É que garantir 5% a mais de desempenho usando um material que custa 50 vezes mais não foi considerado uma opção interessante.

Durante a viagem rumo à Lua, quando o “palete espacial” se separar do veículo de transporte, ele será capaz de executar as manobras de pouso necessárias, tais como controle de atitude, seleção do local de alunissagem, frenagem, entre outras. Além disso, fará o que for preciso para deixar os painéis de energia solar voltados para o Sol. Uma vez na superfície, o rover transportado pelo “palete” entrará em movimento, descerá da plataforma pelas rampas, e seguirá seu caminho.

Após cumprir sua missão de pousar na Lua, o lander poderia capturar imagens da superfície e caracterizar o ambiente para a equipe na Terra, e depois de 8 horas se desligaria permanentemente. Sim, o palete espacial não foi planejado para sobreviver à noite lunar, que dura cerca de duas semanas terrestres. É que seria bem mais caro colocar nele o tipo de tecnologia necessária para permitir que o equipamento se mantenha funcionar durante o frio congelante da noite lunar - e o objetivo do “palete” é economizar, certo?

Gráfico que ilustra o percurso do lander, desde o lançamento em um foguete até o pouso na Lua (Imagem: NASA)

"Este lander foi projetado com a simplicidade em mente para entregar um veículo espacial de 300 kg a um polo lunar", disse Logan Kennedy, engenheiro de sistemas e líder do projeto. Ele conta que a equipe usou "mecanismos mínimos e tecnologia existente para reduzir a complexidade, embora avanços no pouso de precisão tenham sido planejados para evitar perigos e beneficiar as operações do veículo espacial".

Além do rover, ele será capaz de levar alguns instrumentos para experiências científicas auto-sustentáveis e equipamentos úteis ​​que poderiam ser usados pelos astronautas mais tarde. Ainda, a equipe de pesquisadores escreve que "essas e outras tecnologias derivadas são extensíveis a outros projetos e missões de aterrissagem".

Como tudo isso ainda é uma proposta, devemos esperar algum tempo para saber se ela será aprovada pela NASA e adotada durante as missões Artemis, talvez com algumas alterações. Quem sabe o conceito poderá ser usado até mesmo em outros programas espaciais, não é mesmo?

Fonte: Canaltech

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