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NASA ficará 11 meses sem comunicação com a Voyager 2 a partir desta semana

Patrícia Gnipper
·3 minuto de leitura

A partir desta semana (e pelos próximos 11 meses), a NASA não conseguirá mais se comunicar com a Voyager 2, lançada em 1977 para explorar o Sistema Solar e que, hoje, está nos enviando dados científicos preciosos sobre os limites do Sistema Solar, enquanto navega pelo espaço interestelar. É que a rede de antenas usadas para tal contato está precisando urgentemente passar por um período de manutenção, com parte de suas operações permanecendo offline enquanto isso.

A rede em questão é a Deep Space Network (DSN). Trata-se de uma rede internacional de antenas que permitem a comunicação entre a Terra e diversas naves espaciais já lançadas tanto pela NASA quanto por outras agências espaciais — e isso inclui a Voyager 2. Tais antenas estão localizadas no Deserto de Mojave (Estados Unidos), nas proximidades de Madrid (Espanha) e em Camberra (Austrália). Com essas localidades estratégicas, a agência espacial consegue constantemente entrar em contato com naves espaciais enquanto a Terra gira em torno de seu eixo, sem que nenhuma comunicação seja interrompida temporariamente.

(Imagem: NASA)
(Imagem: NASA)

Estabelecida em 1958, a DSN atualmente enfrenta várias limitações e, por isso, a atualização é tão necessária. Entre essas limitações estão antenas mais antigas que, hoje, chegam perto do fim de suas vidas úteis, precisando de substituição. A NASA precisará de quase um ano para finalizar essa manutenção, mantendo a DSN operacional por ainda mais tempo, especialmente devido à grande quantidade de novas missões rumo a Marte que serão lançadas já a partir deste ano de 2020 — sendo que pelo menos três delas precisarão de largura de banda adicional para se comunicar com a Terra.

Cada estação da DSN aqui em nosso planeta conta com três antenas de 34 metros e uma antena de 70 metros e, por conta da trajetória da Voyager 2 em relação à Terra, ela consegue se comunicar com apenas uma antena de uma estação — a de 70 metros em Camberra, chamada DSS 43. E justamente essa antena precisa de aprimoramento para as missões marcianas futuras.

Dessa maneira, nos próximos 11 meses a NASA não conseguirá mais enviar comandos à Voyager 2. Contudo, a sonda ainda conseguirá enviar dados para a Terra, então seus estudos científicos não ficarão interrompidos. Mas o problema aqui é o seguinte: a sonda precisa ser capaz de manter sua antena de comunicação apontada para o nosso planeta e, para fazer isso, ela dispara seus propulsores mais de uma dúzia de vezes por dia, a fim de ajustar essa orientação. Caso haja algum problema nesse processo automático, a NASA não poderá resolvê-lo por quase um ano.

Sírio da DSN em Camberra (Foto: NASA)
Sírio da DSN em Camberra (Foto: NASA)

Outra preocupação se dá com relação à manutenção da temperatura ideal dos equipamentos a bordo. A equipe da missão vem desligando alguns instrumentos da sonda, usando seus aquecedores para manter as linhas de combustível a uma temperatura adequada. Mas isso não poderá mais ser feito pelos próximos 11 meses, então a Voyager 2 ficará, de certa forma, por sua conta e risco até lá.

Outras naves que dependem da DSN para receber comandos da Terra, incluindo a Voyager 1, não terão suas comunicações afetadas, pois usam outras antenas e estações além daquela que precisa da urgente manutenção. A NASA deve concluir os trabalhos de atualização da DSN em janeiro de 2021.

Fonte: Canaltech

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