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NASA busca apoio da iniciativa privada para manter a comunicação no espaço

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

A NASA tem planos para passar a depender dos serviços de comunicação fornecidos por empresas privadas nas missões próximas da Terra. A ideia é que, ao invés de usar satélites de apoio do governo e estações em solo, a agência consiga trabalhar com o setor comercial para realizar missões com amplos serviços de rede por meio do programa Space Communications and Navigation (SCaN).

Para Badri Younes, administrador associado adjunto do SCaN, esse será um novo paradigma comercial que poderá fornecer oportunidades interessantes para a NASA e a indústria na região próxima à órbita da Terra: "se tivermos sucesso, a NASA vai poder sair das operações de rotina para focar no aperfeiçoamento das tecnologias de comunicação no espaço e navegação, como a óptica e a quântica, enquanto ajuda a abrigar um mercado mais robusto da comunicação espacial", diz.

Como um primeiro passo para esse novo modelo, a NASA liberou as solicitações Requests for Information (RFI) para buscar potenciais fornecedores de comunicações comerciais. Os dois primeiros RFI procuram serviços de comunicação direta com a Terra, comunicação lunar e serviços de apoio à navegação como parte da arquitetura do sistema LunaNet, que vai dar apoio às missões do programa Artemis e à presença humana sustentável em nosso satélite natural. Já uma futura solicitação para demonstrações de comunicação perto da Terra irá focar nas capacidades de apoio na Terra parecidas com aquelas fornecidas pela Space Network da NASA.

Todos os dias, a NASA transmite cerca de 30 terabytes de dados do espaço perto da Terra, que equivale a aproximadamente 98% de todos os dados espaciais da agência espacial por meio de duas redes: a Space Network (SN), que fornece serviços de comunicação de apoio para lançamento de veículos e naves para a órbita baixa da Terra através de uma constelação de rastreamento e satélites de apoio de dados. Já a Near Earth Network a fornece comunicação direta com o planeta através de uma rede global da NASA e estações em solo.

Ao mudar para os serviços de comunicação comercial, a NASA vai poder utilizar recursos para focar no desenvolvimento de tecnologia, o que poderá reduzir o custo geral dos serviços de comunicação enquanto há aumento na resposta e disponibilidade da rede: quando a agência espacial atua como simplesmente mais uma entre diversos clientes do mercado comercial, as missões poderão se beneficiar de preços competitivos de diversos provedores de serviço — isso sem falar das vantagens científicas. Para Greg Heckler, gerente de engenharia do SCaN, a comercialização irá fornecer uma experiência de usuário ainda mais robusta: "digamos que ocorra algum evento, como uma supernova ou uma erupção vulcânica. Os cientistas vão poder reagir em tempo real, redirecionando os satélites para cobrir os fenômenos".

Para compartilhar objetivos para o futuro dos serviços de comunicação espacial, o SCaN terá alguns eventos. O primeiro será realizado ainda neste mês, no dia 29, e irá apresentar a transição da NASA de fornecedora para cliente. Eventos posteriores irão incluir apresentações virtuais para trazer os recursos de comunicação direta com a Terra e outros, com foco nos recursos de apoio baseados no espaço.

Fonte: Canaltech

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