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Nas montanhas turcas, médicos desafiam clima e desconfiança para vacinar

Kadir DEMIR
·2 minuto de leitura

Nas remotas aldeias de montanhas turcas, o doutor Sergan Saracoglu, com sua pasta cheia de seringas, enfrenta um duplo desafio ao injetar a vacina anticovid em pessoas mais velhas: clima extremo e crenças ancestrais recalcitrantes.

Depois de dirigir por mais de uma hora em estradas íngremes cobertas de neve, Saracoglu, acompanhado por outro médico e uma enfermeira, chega à vila de maioria curda de Imamli, situada nas montanhas da província de Van (leste da Turquia).

Em sua mão, ele leva uma lista com o nome de pessoas com mais de 65 anos que podem receber a vacina. A equipe consegue localizar sua primeira paciente: Berfo Arsakay, de 101 anos.

Depois de injetar a primeira dose da vacina chinesa CoronaVac, a equipe espera meia hora, enquanto bebe chá em sua modesta casa, para se certificar de que a senhora não terá efeitos colaterais.

"Ela teve uma atitude positiva", celebra o dr. Saracoglu.

"Tivemos casos em que as pessoas se recusaram a serem vacinadas", relatou.

A Turquia, que começou a vacinar sua população em meados de janeiro, registrou até agora 2,5 milhões de infecções por COVID-19 e mais de 27.000 mortes. Mas as áreas montanhosas remotas e isoladas das cidades parecem estar mais protegidas da pandemia.

- "Ar limpo" -

"É muito bom que eles tenham podido chegar aqui, porque me chamaram para ir ao hospital, mas jurei que não faria isso até acabarem com o vírus", murmura essa senhora centenária.

O dr. Saracoglu e sua equipe tiveram menos sorte em outro pequeno vilarejo, Ozbeyli, localizado no mesmo distrito. Partiram de lá sem conseguir vacinar as únicas três pessoas de sua lista: um homem, que não conseguiram localizar, e duas mulheres, que rejeitaram a vacina.

O jovem governador da cidade, Mahmut Seker, inicia um discurso ecológico para minimizar a situação.

"Graças a Deus, não temos o coronavírus aqui. É um lugar limpo, com ar puro", diz. "As pessoas não querem se vacinar por isso. Além disso, têm medo", explica.

O médico concorda que essas áreas remotas estão menos expostas.

"Em geral, nessas pequenas aldeias são registrados poucos casos. É graças a essa distância social natural, ao ar livre", afirma o dr. Saracoglu.

"Além disso, no inverno (boreal, verão no Brasil), eles ficam geograficamente isolados da cidade, o que faz com que o coronavírus circule menos", acrescenta.

Em Imamli, os pais de Sabahtin Saymaz, agora idosos, estão ansiosos para voltar a Bahcesaray, a capital do distrito, onde não colocam os pés desde o início da pandemia.

"Tiveram muito cuidado. Nunca foram até o povoado. Esperavam ser vacinados", conta, enquanto observa seus pais recebendo a primeira dose do imunizante injetada pela equipe do doutor Saracoglu. A segunda injeção está programada para daqui a 28 dias.

vid/ezz/gkg/bg/at/mba/age/bl/tt