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Nas garras dos dragões do garimpo: o dia a dia do esquema de extração ilegal do ouro no Rio Madeira

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AUTAZES (AM) - Na última semana de novembro, o Rio Madeira, que de uma margem a outra parece um mar (com uma largura média de cinco quilômetros), ficou pequeno na altura da vila centenária de Rosarinho, em Autazes (AM). Mais de 400 balsas de garimpo, conhecidas como “dragões” pelas “garras” de madeira, ferro e tubos que saem das estruturas em meio à fumaça preta expelida dos motores de caminhão, enfileiraram-se como uma cidade flutuante, com cerca de três mil pessoas — 60 vezes mais que a população da comunidade ribeirinha, de 50 habitantes, formada por descendentes do povo indígena Mura.

As fotos aéreas do Greenpeace chocaram o mundo e provocaram uma megaoperação da Polícia Federal, Ibama e Marinha. Para os moradores das cidades que margeiam a bacia do Madeira, a concentração das embarcações é uma cena cotidiana há pelo menos 10 anos no verão amazônico, quando, de maio a novembro, os garimpeiros saem à caça do ouro no leito do rio mais seco.

— Aqui eles não tinham vindo ainda, mas sempre estiveram aí por baixo — diz o ribeirinho Ivan Medeiros, de 68 anos, que mora desde que nasceu em Rosarinho, apontando no horizonte em direção ao Sul do Amazonas, mais precisamente para as cidades de Borba, Manicoré, Novo Aripuanã e Humaitá, onde a megaoperação não chegou e onde ainda se aglomeram centenas de balsas no rio.

Descendentes de agricultores e seringueiros do ciclo da borracha, parte dos moradores desses municípios foi aos poucos migrando para o garimpo fluvial como um meio de vida mais rentável.

— Nós trabalhamos agora para sobreviver no inverno (quando o rio enche e a garimpagem fica inviável). Não recebemos nem o auxílio emergencial do governo, porque o cadastro não sai. Estudei até o terceiro ano e só sei fazer isso — diz o garimpeiro Edivan de Jesus, de 24 anos.

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