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Não Inviabilize lança plataforma de vagas afirmativas

Déia Freitas, do Não Inviabilize, é psicóloga, roteirista e podcaster (Divulgação)
Déia Freitas, do Não Inviabilize, é psicóloga, roteirista e podcaster (Divulgação)
  • Déia Freitas, do Não Inviabilize, recebeu uma série de ameaças em janeiro

  • Ataques aconteceram após o anúncio de uma vaga de emprego temporário

  • Podcaster decidiu transformar a situação em uma oportunidade de projeto

Era um simples anúncio para uma vaga de trabalho temporário. Seriam quatro meses de contrato para atuar no "Não Inviabilize", um dos mais relevantes podcasts do momento. A pessoa que fosse escolhida receberia R$ 5 mil por mês e ainda ganharia um bônus de 2 mil ao final de contrato.

Mas, por causa de alguns requisitos indicados na publicação, começaram discussões nas redes sociais sobre vagas afirmativas. Isso porque a posição era direcionada para mulheres (cis, trans ou travestis) que fossem pretas, pardas os indígenas.

Na época, Déia Freitas, fundadora do projeto, recebeu mais de 5.000 currículos e uma diversos ataques e ameaças: “Eu fiquei muito mal, me acusaram de tráfico de drogas, esquema de pirâmide. Tive que colocar advogados porque me imputaram crimes de coisas que nunca tive relação”, relembra Déia.

Ao invés de desistir da contratação, a podcaster usou a situação para ajudar ainda mais pessoas a ingressar no mercado de trabalho: ela lançou neste mês de agosto a plataforma "Não Inviabilize A Minha Vaga", iniciativa de empregabilidade que tem como objetivo criar uma ponte entre empresas e pessoas pretas, pardas e indígenas.

“Essa vaga me deu me deu problema mas depois desdobrou em coisas boas. A gente desenvolveu um programa para cadastro de pessoas e tem um monte de empresa me procurando, então, a gente vai fazer esse meio de campo”, explicou.

Dados recentes mostram como iniciativas deste tipo ainda são importantes para diminuir a desigualdade no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu em 22 estados no 2º trimestre, ficando em 9,3%, segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) Trimestral, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No entanto, entre mulheres e negros (pretos e pardos), a taxa é bem mais alta do que entre homens e brancos. De acordo com o instituto, o percentual de desemprego entre brancos é 7,3%, já para pretos é de 11,3% e está estipulado em 10,8% para pardos.

Uma pesquisa da Mindsight com a consultoria Indique, realizada em maio deste ano, mostra que a política de diversidade ganhou o apoio da população. De acordo com o estudo, 74,6% das pessoas são a favor de vagas exclusivas para pessoas negras. Contudo, o levantamento aponta que quase 60% das empresas não possuem um time com 50% dos funcionários negros.

“Muita gente bacana vem nos procurar e estamos muito felizes em lançar esse programa. Iniciativas como essa acabam tendo um papel social fundamental”, comemora.

Como se cadastrar?

A plataforma pode ser acessada pelo site do "Não Inviabilize". O cadastro é gratuito e pode ser feito por pessoas físicas e empresas. Para além dos currículos recebidos na primeira seleção, o banco de vagas também vai receber novos currículos, aumentando ainda mais a possibilidade de inserção entre essa parcela da população e empresas interessadas em implementar políticas de diversidade e inclusão no ambiente de trabalho.