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“Não dá mais para esconder nossos rostos”: o lugar dos transexuais na comunidade judaica brasileira

Cantora e compositora Assucena Assucena compartilhou como é ser uma mulher trans na comunidade judaica (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando alguém pensa em quem é um judeu o mais provável é que o estereótipo seja de pessoas brancas, heterossexuais e cisgênero. Isso, no entanto, não quer dizer que todos os judeus sejam assim. Há, sim, judeus de todos os tipos. Na última quinta-feira, um evento reuniu três judeus brasileiros transexuais para relatar as experiências dentro e foram da comunidade judaica brasileira e falar sobre o papel da religião na identidade delas.

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Assucena Assucena, cantora e compositora do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, é de família judaica e contou que a religião tem papel fundamental na vida dela. No entanto, para se encontrar como mulher trans, se afastou do judaísmo e da comunidade judaica.

“A questão do meu judaísmo, do meu vínculo a minha ancestralidade, foi fundamental para eu me entender como alguém no mundo. Eu me afastei da questão judaica, fui de outras religiões, inclusive. Eu sempre fui uma pessoa muito religiosa e que tentou entender nesse lugar da religiosidade uma aceitação. Porque eu sempre busquei esse valor, essa energia transcendental, essa consciência universal que sabia todas as coisas”, relata. “Eu tinha achado isso no judaísmo, mas pelo motivo de me auto conhecer, eu tinha perdido esse interesse.”

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A avó de Assucena teve papel central para que ela entendesse que a identidade dela e a religião podiam andar juntas. “Não se preocupe, Deus não está vendo a roupa que você veste, o batom que você usa. Mas Deus está vendo o seu caráter”, disse para a neta.

O mesmo processo de distanciamento aconteceu com Lilyth Ester, antropóloga norte-americana que se mudou para o Brasil para estudar sobre gênero, sexualidade e judaísmo, e Nicholas Steinmetz, designer, artista visual e mediador do Museu do Holocausto de Curitiba.  

No entanto, os três decidiram voltar e levantar a bandeira de que a comunidade judaica é, sim, plural.

“Acho relevante deixar claro que a comunidade judaica é diversa, porque é. Quando a gente sai da nossa bolha, a gente descobre que tem comunidade judaica preta, comunidade judaica LGBTQ, essas pessoas existem”, opinou Lilyth.

Nicholas, que trabalha no Museu do Holocausto, relatou que um dos grandes trabalhos feitos pelos mediadores é reforçar a diversidade entre os judeus porque, sem isso, reforçam-se estereótipos. “Bater na tecla de que a comunidade judaica é uma coisa é a gente dar voz à uma caricatura, que ajuda na construção lenta do preconceito e do ódio. E compreender isso faz compreender que a cultura judaica não é só de um grupo”, disse.

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“Por a gente ter presenciado, ter sofrido tanta intolerância e pela diversidade que a gente tem dentro do povo judeu, é essencial a gente compreender que não é só antissemitismo que existe no mundo”, afirmou Nicholas.

Lilyth, ao falar sobre a religião, se diz tranquila: “Já fiz meu pacto com Deus, ele me aceita como eu sou”.

Ga’avah, em hebraico, quer dizer “orgulho”. Esse é o nome de uma série de eventos realizados por setores progressistas da comunidade judaica com pessoas LGBTQ judias. Os encontros são organizados pelo Instituto Brasil-Israel, a União do Judaísmo Reformista e o grupo ARZENU e acontecem ao longo do mês de junho, considerado o mês do orgulho.

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