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'Não cantamos mais nas varandas': como está o 2º lockdown na Itália

João Conrado Kneipp
·3 minuto de leitura
In this March 11, 2020, photo, Agnese Grosso, left, 85, poses for a photo flanked by her caregiver Murario Aspazzia, at the balcony of his home in Rome. Italy has one of the world’s oldest populations, and the coronavirus outbreak is taking its toll on family relationships. The elderly are sealing themselves off from loved ones or can’t be visited due to nursing home rules or travel restrictions. (AP Photo/Alessandra Tarantino)
A alegria com que parte dos italianos enfrentaram o primeiro toque de recolher agora dá lugar a preocupação, silêncio e até protestos.. (Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino)

As cenas das cantorias nas varandas e sacadas durante o primeiro lockdown na Itália, ainda em março de 2020, rodaram o mundo e viraram símbolo de esperança em um momento marcado assolado pelas mortes provocadas pela pandemia do novo coronavírus.

A Itália atravessa, desde o início de novembro, uma segunda onda de imposição de restrições de circulação. A alegria com que parte dos italianos enfrentaram o primeiro toque de recolher agora dá lugar a preocupação, silêncio e até protestos.

O país é um dos que mais sofre com a doença. Como se não bastassem as mais de 90 mil mortes, a Itália vive uma recessão recorde na economia e suporta agora também uma crise política em meio à pandemia.

“Não cantamos mais das nossas varandas. Estamos preocupados. A televisão fala sobre uma possível 3ª onda de infecção. Muitas pessoas morreram, estão morrendo ou sofrendo”, conta a funcionária pública Amanda Pellegrini, de 53 anos.

“Durante a 1ª onda, pensamos que essa experiência terrível nos faria melhores. Achamos que seria o momento para pensar sobre nossos sentimentos, as reais prioridades de nossas vidas, nossa relação com o planeta. Hoje percebemos que aquela ocasião não nos melhorou muito. Estamos de volta ao que era antes”, completa ela.

Na capital Roma, era proibido qualquer circulação de pessoas das 22h às 5h há três semanas.

“Só podíamos sair de casa por razões bem sérias, como para trabalhar ou se você tivesse de cuidar de alguém doente, por exemplo. Às vezes, as regras não funcionam. O transporte público é uma tristeza. Todos os passageiros usam máscara, mas a distância não é respeitada porque está lotado”.

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No fim de janeiro, no entanto, o governo italiano resolveu diminuir as restrições em algumas regiões na tentativa de recuperar a economia, apesar dos alertas de especialistas em saúde pública.

Entre as atividades permitidas, estão a abertura de bares, cafés e restaurantes durante o dia e flexibilização da circulação entre as regiões. A medida, muito criticada na época, contraria a tendência geral dos demais países europeus de implementar regras mais severas.

TURIN, ITALY - APRIL 24: People watch from the balcony during a flash mob on April 24, 2020 in Turin, Italy. Flash mob "Resistant Windows" shows pieces of films projected on the walls of buildings or monuments during quarantine in the coronavirus (COVID-19) pandemic. (Photo by Stefano Guidi/Getty Images)
Na primeira onda, cenas de confraternizações e festas nas janelas eram cotidianas nas cidades italianas. (Foto: Stefano Guidi/Getty Images)

O cenário de incerteza se agravou nesta semana após a renúncia do primeiro-ministro Giuseppe Conte, enquanto a economia desabava devido à recessão. A Covid-19 causou o colapso da economia italiana com uma queda no PIB (Produto Interno Bruto) de 8,9% em 2020.

“Muitas pessoas perderam o emprego. Muitas pessoas vão à caritas — organizações humanitárias — para receber alimentos. Muitos idosos solitários e assustados em casa”

No sistema público de saúde, as histórias não são positivas. “Todos aguardavam essa segunda fase. Em Roma, o pai de um amigo meu positivou para Covid e precisou passar uma noite na ambulância porque todos os hospitais estavam lotados”, relembra ela.

Nas últimas 24h, a Itália registrou mais 422 óbitos provocados pela Covid-19, além de 13.659 casos. Ao todo, o país tem 90.241 vítimas do vírus e 2.597.446 casos confirmados.

O país iniciou sua campanha de imunização em 27 de dezembro e, até o momento, vacinou cerca de 1,37 milhão de pessoas, sendo que 867.237 já receberam as duas doses.

“Hoje, mais do que ontem, sentimos que vivemos uma situação flutuante e nos sentimos suspensos. Sem certeza”, finaliza Amanda.