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Na véspera de decisão do Copom, juros futuros de curto prazo têm leve queda

Lucas Hirata

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2021 teve leve queda a 2,09%, enquanto a do DI para janeiro de 2022 se manteve em 3,05% Na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, as taxas de juros futuros de curto prazo oscilaram entre a estabilidade e leve queda nesta terça-feira (16), num sinal da expectativa no mercado sobre uma postura mais flexível do colegiado sobre seus próximos passos. Apesar da alta do dólar, que hoje superou R$ 5,22, o mercado de juros teve um comportamento mais contido embora tenha registrado leve avanço em vértices mais longos da curva de juros.

Depois de abrirem em queda, refletindo o ambiente mais favorável ao risco em todo o mundo, as taxas chegaram a mostrar um aumento do prêmio de risco com informações sobre novos casos de contágio de covid-19 e falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell. No entanto, os movimentos são bastante limitados pela proximidade da decisão de política monetária no Brasil, que acontece na quarta-feira (17).

Às 16h, no fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 teve leve queda a 2,09% (de 2,12% no ajuste anterior), enquanto a do DI para janeiro de 2022 se manteve em 3,05%, assim como a do DI para janeiro de 2023 que fechou a 4,15% (de 4,15% no ajuste anterior). Já o rendimento do DI para janeiro de 2025 subiu a 5,76% (de 5,71% no ajuste anterior) e o do DI para janeiro de 2027 avançou a 6,74% (de 6,64% no ajuste anterior).

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão de juros amanhã, sob ampla expectativa no mercado de mais um corte de 0,75 ponto percentual, que levaria a Selic de 3,00% para 2,25%.

Para Luiz Eduardo Portella, sócio e gestor da Novus, o comunicado do Copom pode vir mais duro que boa parte dos analisas está esperando, indicando o patamar de 2,25% como um “piso” para queda da Selic “nem que seja de curto prazo”.

“Desde maio, tivemos melhora das condições financeiras muito grande, com dólar caindo e bolsa subindo. Mas o que ajudou foi o cenário global, muito melhor que o esperado. A recuperação está mais forte e isso deve ajudar na atividade aqui. É possível que as projeções de contração de 8% ou 9% do PIB voltem um pouco”, diz.

O gestor vê consequências positivas até para condições financeiras no caso de interrupção do processo de queda da Selic. Ele explica que uma pausa contribui para tirar pressão no câmbio e ajuda a tirar inclinação da curva de juros. “Se fechar a porta, ajudaria a tirar inclinação da curva longa. Será que vale mais a pena reduzir a Selic até o limite ou tentar tirar pressão da curva longa? Eu acho a pausa mais benéfica”, conclui.

Por outro lado, boa parte do mercado espera que o colegiado mantenha portas entreabertas para futuros movimentos. Para o estrategista sênior para mercados emergentes do Standard Chartered, Ilya Gofshtein, agora existem várias razões para acreditar que o Banco Central se sentirá mais confortável indicando uma postura de longo prazo mais favorável a estímulos, do que em reuniões anteriores.

“Primeiro, e mais importante, as condições do mercado melhoraram notavelmente e não indicam mais o mesmo nível de alarme. Uma das principais preocupações do BC sobre flexibilizar muito agressivamente no pico da crise foi a preocupação com um aperto perverso das condições financeiras, devido à pressão nas taxas de longo prazo. Essa preocupação diminuiu à medida que a curva se achatou e os mercados de crédito não foram pressionados”.

Da mesma forma, o real registrou uma alta considerável nas últimas semanas. “O repasse de uma moeda mais fraca para a inflação nunca foi uma preocupação próxima do BC”, diz o profissional, ao apontar que essa valorização também diminui os riscos no longo prazo. Ele aponta que há espaço para mais afrouxamento monetário dado que as expectativas de inflação continuam caindo. O Copom “ansioso para comunicar isso ao mercado provavelmente pressionará os rendimentos mais abaixo da curva”, acrescenta.

O Standard Chartered trabalha com cenário de redução de 0,75 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira, a 2,25%, com redução adicional para 2% ainda este ano. Com isso, o profissional recomenda posições que ganhem com a queda em taxas em trechos intermediários da curva de juros, como DI janeiro de 2023. Por outro lado, o risco/retorno em operações diretas de câmbio enfraqueceu. “Portanto, voltamos nossa atenção para operações de valor relativo em moedas emergentes. Atualmente, na América Latina, nossa operação favorita é vendida em real contra peso mexicano”, diz.