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Na véspera da cessão onerosa, dólar recua com pacote pós-Previdência

Marcelo Osakabe

Moeda americana encerrou em queda de 0,47%, aos R$ 3,9922 No último pregão antes do megaleilão da cessão onerosa, evento que deve definir o comportamento do câmbio nos próximos meses, os mercados reagiram positivamente ao pacote de medidas apresentado pela equipe econômica ao Congresso. Como resultado, o dólar encerrou em queda de 0,47%, aos R$ 3,9922.

“Embora seja esperado desde a semana passada, o plano é uma sinalização positiva”, diz Cristiane Quartaroli, economista do banco Ourinvest. “O mercado vê com bons olhos medidas que mexem na questão do engessamento das despesas.”

O pacto anunciado nesta terça-feira prevê a transferência de R$ 400 bilhões a Estados e Municípios ao longo de 15 anos como contrapartida a uma série de medidas. Entre as novidades do Plano Mais Brasil, como o governo quer chamar a nova fase de reformas, estão a PEC Emergencial, que prevê o acionamento mais rápido de mecanismos de contenção de gastos obrigatórios, e a PEC do Pacto Federativo, com nova divisão de recursos e obrigações entre os entes federativos.

O noticiário positivo vindo da política ajudou o real registrar o quarto melhor desempenho do dia contra a moeda americana e destoar do comportamento das maioria dos pares emergentes e ligados a commodities no pregão, que caminharam na direção contrária. No mesmo horário, o dólar avançava 0,61% frente ao peso chileno e 0,18% contra o peso mexicano.

Kiyoshi Ota/Bloomberg

A moeda americana se fortaleceu na margem neste pregão após dados melhores que o esperado do setor de serviços local. O dado ajudava o índice DXY da ICE a avançar 0,48% no horário citado.

Embora o noticiário do dia tenha movimentado o dia, a maior expectativa dos participantes de mercado é com o resultado do megaleilão da cessão onerosa. A expectativa com forte entrada de recursos trazidos pelo certame movimentou o mercado futuro nas últimas semanas e ajudou, juntamente com um externo menos desafiador, a tirar o dólar do patamar de R$ 4,10 em que era negociado no início de outubro.

Nos últimos dias, no entanto, parte do mercado começou a embutir algum ceticismo sobre o tamanho da arrecadação final - sentimento que cresceu após a desistência de duas grandes petroleiras, Total e BP. Segundo apurou o Valor, algumas empresas têm adotado cautela diante do suposto apetite da Petrobras, que estaria exigindo altos valores como compensação pelos investimentos já realizados nos blocos, entre outras reclamações.

“Caso a competitividade do leilão não seja tão grande, o volume arrecadado pode não ser tão grande como o esperado”, diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Em relatório a clientes, o Credit Suisse estima em pelo menos US$ 6,4 bilhões o volume que entrará até o final deste ano por causa do pagamento do bônus de assinatura - a depender do ágio, metade do desembolso pode ser postergado para junho do ano que vem. O número considera que apenas duas áreas receberiam ofertas e que a Petrobras ficaria com 65% de cada uma.

Os analistas do banco, no entanto, acreditam que o cenário mais provável é uma entrada de cerca de US$ 9 bilhões e esse número pode subir a US$ 18 bilhões. Para fins de comparação, o fluxo cambial este ano até o último dia 25 está negativo em US$ 21,1 bilhões.