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Na pandemia, 22% apontam a saúde como principal problema do país, mostra Datafolha

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 30.11.2020 - Movimentação de pessoas pela rua Marechal Deodoro, no centro de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, durante a fase de medidas restritivas em decorrência da pandemia da Covid-19. (Foto: Rubens CavallariFolhapress)
***ARQUIVO***SÃO BERNARDO DO CAMPO, SP, 30.11.2020 - Movimentação de pessoas pela rua Marechal Deodoro, no centro de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, durante a fase de medidas restritivas em decorrência da pandemia da Covid-19. (Foto: Rubens CavallariFolhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pesquisa Datafolha indica que mais brasileiros apontam a saúde como o principal problema do país atualmente, em meio à pandemia do coronavírus. Logo em seguida, estão três questões interligadas: o desemprego, a economia em si e a inflação.

O Datafolha ouviu 3.667 pessoas de segunda-feira (13) a quarta-feira (15). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Esse ponto do levantamento é pesquisado de maneira espontânea, ou seja, o entrevistador não mostra opções para que o entrevistado dê a resposta.

Apontaram a saúde como o principal problema 22% dos entrevistados, e outros 2% mencionaram a crise sanitária, em respostas como Covid, coronavírus ou pandemia.

Na pesquisa anterior com esse questionamento, em dezembro passado, a saúde já tinha sido a principal preocupação, com 27% --outros 3% mencionaram o coronavírus ou termos relacionados. Naquela época, o país ainda não havia atravessado a mais letal onda da pandemia, que já matou 590 mil brasileiros.

O Datafolha também apontou que, para 54%, a forma como o governo Jair Bolsonaro reage à crise sanitária é ruim ou péssima. A atuação do governo é alvo desde abril de uma CPI no Senado, que está caminhando para produzir seu relatório final até o fim deste mês.

Porém, pré-coronavírus, a saúde quase sempre esteve no topo dos grandes problemas nacionais mencionados.

No primeiro ano do governo Bolsonaro, em 2019, esteve como o principal item listado em duas pesquisas, com taxas de 18% e 19%.

Em 2018, quando o presidente era Michel Temer (MDB), o tema também liderava, mas em situação por vezes de empate técnico com a corrupção.

Nos anos Dilma Rousseff (PT), de 2011 a 2016, a saúde chegou a ser mencionada como a principal mazela por 48% no auge dos protestos de junho de 2013. Posteriormente, com a crise política que levou ao impeachment da petista, passou a ser suplantada pela corrupção. Hoje, esta despencou no ranking de preocupações citadas: só 5% a mencionaram.

O período de retração desse item coincide com o esgotamento da Operação Lava Jato e o encerramento das atividades das forças-tarefas ligadas ao caso.

Outro problema que vem saindo do radar é a violência/segurança, cujo combate foi uma maiores bandeiras de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. De item mais citado em julho de 2019, com 19%, agora foi mencionado por apenas 3% dos entrevistados. Fome ou miséria foram citadas por 6%.

No recorte por segmentos, a educação, que no quadro geral tem 6%, só ganha destaque entre os mais jovens. Na faixa dos 16 a 24 anos, as menções sobem para 10%. Já entre quem tem 25 a 34 anos, fica em 9%.

A inflação, flagelo que impacta sobretudo os mais pobres, não é tão citada nas faixas de mais renda. Entre quem tem renda familiar mensal acima de cinco salários mínimos, só 4% citaram essa preocupação como a principal. As menções a desemprego também caem nesses recortes.

Nesta quinta-feira (16), o Ministério da Economia revisou a projeção oficial para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no encerramento de 2021 de 6,2% para 8,4%.

Segundo estudo da FGV Social divulgado neste mês, a taxa de desemprego da metade mais pobre dos brasileiros subiu quase dez pontos durante a pandemia, de 26,55% para 35,98%. Entre os 10% mais ricos, passou de 2,6% para 2,87%.

Entre eleitores que pretendem votar em Bolsonaro em 2022, as menções à saúde e a temas econômicos na pesquisa Datafolha tendem a ser menores. Nesse recorte, sobe o item corrupção, de 5% para 8%.

Já entre quem diz que votará no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo ano, a preocupação com o desemprego aumenta de 13% para 16%.

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