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Na era do Pix, escambo ainda sobrevive em SP

·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As feiras do rolo, populares em praças localizadas em bairros da periferia da cidade de São Paulo e também da região metropolitana, ganharam uma repaginada e pipocam aos montes na internet. Mesmo em plena era do Pix, em que um pagamento pode ser feito instantaneamente e sem taxas, os escambos, prática dos primórdios das relações comerciais na humanidade, funcionam 24 horas por dia nas redes sociais.

São diversos os grupos encontrados principalmente no Facebook. Eles usam como atrativo as palavras "feira do rolo", "trocas", ou "escambos", atraindo com isso diversos seguidores. A maioria das páginas é restrita e a participação só é liberada a um novo participante após análise dos administradores.

Assim que a reportagem teve o acesso autorizado à página "Feira do Rolo de São Paulo", que conta com mais de 101 mil membros, encontrou um mar de ofertas, que variam ao gosto do freguês e vão de celulares a automóveis, passando por objetos incomuns, como bonecas.

Uma das pessoas que movimentam o grupo é o inspetor de qualidade Vinicius Dias, 25 anos, um amante dos games. "Galera, estou à procura do 'Red 2' [jogo], faço dois por um por ele. Se tiver interesse mande sua proposta", diz seu anúncio.

Ao Agora, o jovem explicou que prefere realizar a troca dos jogos de Playstation 4 pelo fato deles perderem valor de venda com o tempo. "Por exemplo, o preço que alguém paga quando sai um lançamento de R$ 150, R$ 200, depois de quatro meses ele está valendo R$ 50. O cara que adquiriu um jogo bom não vê vantagem em vender. Compensa ele fazer uma troca por um equivalente no valor ou no conteúdo do jogo."

Na mesma feira do rolo da internet está o motoboy Alef Silva, 26, morador do Jardim Flor de Maio (zona norte). Sua intenção ao participar do grupo é a troca de celulares, já que considera "mais fácil e rápido". Desta vez, ele, que possui um aparelho A51 da Samsung buscava, quando da entrevista, um Note 9S da Xiaomi, o qual contou já ter tido e que se arrependeu de ter se desfeito.

Garantias Os praticantes do escambo digital definem suas próprias regras para evitar eventuais golpes.

Dias, que mora na Vila Alpina (zona leste de São Paulo), contou que já trocou inúmeros games pela página que administra, entre eles "Good of War" e "The Wicher", mas que também já trocou camiseta, boné, tênis e bermuda. O Facebook está aberto para qualquer coisa que você quiser. Literalmente", afirma.

Questionado sobre os cuidados que toma para evitar um eventual golpe, o rapaz afirmou que o primeiro passo é pedir o telefone da outra pessoa. "Se for jogo com jogo, eu avalio o CD dele, peço foto, vídeo, do mesmo jeito que eu tenho que enviar foto e vídeo", diz.

Para Silva, que há três anos realiza trocas de produtos pela internet, o escambo "é um tiro no escuro". "Você pode ter sorte ou azar", afirma.

Sobre as precauções ao realizar uma troca de celulares, o motoboy ponderou que o principal é "puxar o IMEI (número de identificação único para cada aparelho) e verificar se é original ou não, fazer chamada, testar a câmera e ver se ele é pesado ou leve". Dias depois da entrevista, ele procurou a reportagem, animado, para contar que havia conseguido efetuar a troca que tanto buscava. "Estou totalmente satisfeito".

A dona de casa Débora Moreira, 42, também recorre à internet para buscar o que gosta, e, com a experiência de quem já fez mais de 50 trocas de brinquedos, diz que o seu método para evitar fraudes envolve envio de vídeos e, caso o negócio se confirme, a troca é feita em local público, tal como uma estação de trem ou metrô, ou na casa da pessoa.

Atualmente ela está em busca da chamada "boneca perfeita", como são conhecidas as reborn, que se assemelham à bebês de verdade. Sobre as trocas, ela contou que são feitas após se sentir enjoada das que possui. "É legal você pegar uma outra, diferente", disse.

Serviços Outra página que também faz sucesso é a "Escambo", com cerca de 10 mil membros, onde a venda, compras, propagandas comerciais e valores nos posts são vetados.Por lá o que mais as pessoas postam são trocas de serviços.

É o caso da psicóloga Thaís Petroff, 39. Após mudar de local de trabalho recentemente e se instalar na Lapa (zona oeste) ela busca por uma pessoa que a ajude a organizar a bagunça e um marido de aluguel que tenha habilidade em furadeira. Em troca, ela oferece seus conhecimentos em psicoterapia, constelação familiar, reiki e fitoterapia.

"Eu já tive experiências muito boas na troca de serviços. As pessoas com quem troquei se tornaram amigos ou amigas. Nunca tive experiência negativa. As pessoas gostam do que elas fazem", afirmou.

Para o especialista em consumo Fred Rocha, a catira, rolo e escambo, nomes que também derivam da troca, "nunca vão acabar". Ele argumentou que fazer o rolo é muito divertido e dá muito certo com produtos de baixa liquidez. "Produtos que são mais difíceis de vender as pessoas começam a trocar por outros produtos que podem ser que atendam a elas", afirma.

Sobre a questão dos serviços profissionais, Fred Rocha afirmou que o dinheiro simplesmente é um facilitador, já que "você troca seu trabalho pelo trabalho do outro representado por produtos e serviços".

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