Mercado fechado

Na ausência de catalisadores locais, Ibovespa cede ao mau humor do exterior

Ana Carolina Neira

Aversão global a risco foi alimentada por aumento de casos de covid-19 nos EUA O Ibovespa teve nesta sexta-feira um pregão marcado pelo movimento de venda dos investidores, ampliando suas quedas ao longo do dia. As perdas estão em linha com o que foi observados nos mercados globais e foram ainda mais acentuadas diante da ausência de catalisadores positivos na cena local. A busca generalizada por proteção acontece diante do aumento de casos de coronavírus em economias em estágio de reabertura, com destaque para os Estados Unidos.

Após ajustes, o Ibovespa fechou em queda de 2,24%, aos 93.834 pontos. O giro financeiro do pregão foi de R$ 17,6 bilhões, abaixo da média diária deste ano de R$ 20,4 bilhões, demonstrando que o movimento tem mais relação com a busca por proteção do que um estresse generalizado do mercado. Na semana, o Ibovespa recua 2,83%.

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Além disso, a proximidade do fim de semana e a chegada do fim do semestre também sustentam a busca por ativos mais seguros e o reajuste de carteiras, afirma Adriano Cantreva, sócio da Portofino Investimentos.

"Ainda existe bastante volatilidade no mercado e, apesar de tudo, um mês com bons ganhos, então é natural que os investidores queiram se proteger e também realizar algum lucro", diz. Para ele, o dia de hoje é mais um movimento pontual e não retrata um pessimismo com o mercado, apenas cautela diante dos efeitos econômicos do coronavírus no curto prazo. Olhando mais à frente, explica Cantreva, os juros historicamente baixos e o excesso de liquidez no mercado continuarão garantindo fluxo para a bolsa brasileira, que ainda tem espaço para subir.

Hoje, o clima em todos os mercados pesou consideravelmente após o governador do Texas, Grett Abbott, anunciar que restabelecerá restrições em todo o Estado para conter as recentes altas nos números de casos e hospitalizações por coronavírus.

O assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, também afirmou que novos confinamentos podem ser decretados nos Estados Unidos, alimentando os temores dos investidores. O sentimento não é diferente no Brasil, onde as principais capitais também passam por um processo de reabertura. Alguns economistas já dizem que os impactos econômicos podem ser ainda piores caso as economias fiquem neste ritmo de "abre e fecha" em vez de adotar um fechamento mais rígido para conter a contaminação.

No fechamento do pregão, as maiores pressões vinham de Ambev ON (-2,05%), B3 ON (-3,64%), Bradesco (-3,21% a ON e -3,47% a PN), Itaú PN (-2,10%), Petrobras (-2,50% a ON e -2,93% a PN), units do Santander (-3,08%) e Vale ON (-1,09%), as ações com maior peso e liquidez dentro do índice.

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