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Núcleo Exynos M6, cancelado pela Samsung, é apresentado pelos seus criadores

Rubens Eishima

Apesar do fim da divisão da Samsung responsável por desenvolver núcleos de processamento no ano passado, alguns integrantes da equipe publicaram um artigo descrevendo os núcleos usados nos processadores próprios da empresa sul-coreana. A apresentação cobre desde o núcleo Mongoose M1, usado no processador Exynos 8890 do Galaxy S7 (2015), até o Mongoose M6, que foi criado para o processador que seria usado em 2021.

O anúncio do fim da divisão SARC (Samsung Austin R&D Center, centro de pesquisa nos Estados Unidos) foi feito no final de 2019, poucos meses antes do lançamento da linha Galaxy S20, que em algumas versões é equipada com o processador Exynos 990, que utiliza o núcleo M5 da SARC.

Linha Exynos continua

O projeto do núcleo M6 já estava concluído, pronto para ser integrado no próximo processador Exynos – previsto para equipar o Samsung Galaxy S30 – mas a sua implementação foi cancelada junto com a SARC. O cancelamento não tem relação com o abaixo-assinado feito pelos seguidores da marca, que pedem que a sul-coreana deixe de utilizar os chips Exynos em seus celulares topo de linha.

O fim da SARC não afeta a linha de processadores Exynos, desenvolvidos por outra divisão da Samsung, a SLSI (System Large Scale Integration, na Coreia do Sul). Acredita-se que a próxima geração da família Exynos adote apenas núcleos “padrões” da ARM, como o novo Cortex-X1, anunciado no final de maio.

Fim da linha

O documento apresenta a evolução da microarquitetura usada nos chips, com uma configuração de memória cache praticamente inalterada em cinco anos, mas que receberia uma série de mudanças para 2021, como o aumento de duas vezes no tamanho do cache L1 (mais próximo da CPU) para dados e instruções, que iriam de 64 KB para 128 KB — configuração usada apenas nos processadores Apple A12 e A13.

Outras mudanças do núcleo M6 incluem um aumento de 100% na banda de transferência do cache L2 e uma ampliação de 33% do cache L3 (de três para quatro megabytes).

A apresentação descreve diversas técnicas adotadas pela equipe para compensar um dos calcanhares de Aquiles da linha de núcleos, a previsão de instruções para processamento. Isso se dá, por exemplo, com o aumento constante da memória disponível para o componente responsável conhecido como branch predictor, em inglês.

Um dado mais fácil de entender está no gráfico que apresenta a evolução da IPC (instruções por ciclo, a quantidade de cálculos que o processador é capaz de realizar por ciclo de trabalho). A ilustração mostra saltos de desempenho discretos entre os núcleos M3 (Galaxy S9) e M5 (Galaxy S20), mas apresenta uma evolução de aproximadamente 20% no M6.

Núcleo M6 ofereceria um aumento de 20% de desempenho (imagem: Samsung)

Destino

Sem um chip para ser utilizado, a apresentação dos ex-funcionários serve como um obituário do núcleo Mongoose M6. O documento foi publicado durante o simpósio internacional para a arquitetura de computadores (ISCA, na sigla em inglês) com a autorização da Samsung.

Apesar do fim da divisão SARC, felizmente os autores do documento conseguiram se reposicionar no mercado, passando a trabalhar para empresas como a ARM, AMD e Centaur (responsável pelos chips Cyrix).


Fonte: Canaltech