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Névoa cerebral continua sendo um mistério dentre os sintomas da COVID-19

Nathan Vieira
·4 minuto de leitura

Já não é segredo a questão delicada envolvendo a COVID-19 e o cérebro dos pacientes. No entanto, isso não significa que a doença (e seus efeitos) não esteja em uma fase de descobertas, com direito a muitos mistérios a serem desvendados. Um deles, inclusive, é a recém-apresentada névoa cerebral, que se resume em dificuldade em reunir pensamentos, problemas de concentração, incapacidade de lembrar o que aconteceu pouco tempo antes.

Para Aluko Hope, especialista em cuidados intensivos no Hospital Montefiore na cidade de Nova York, as queixas mais comuns são fadiga, falta de ar e tosse, mas os sobreviventes da COVID-19 também descrevem tristeza e depressão. Hope diz que muitos carregam um fardo duplo: gratidão por terem sobrevivido e tristeza pelo trauma de serem hospitalizados e separados da família. No entanto, queixam-se também de problemas de memória: cerca de um terço de seus pacientes diz que não consegue se lembrar de números de telefone que conheciam ou que lutam para lembrar a palavra certa, sentindo que ela está na ponta da língua, mas fora de alcance. Eles não conseguem lembrar onde estão suas chaves, quais são as regras básicas de trânsito, coisas assim.

Névoa cerebral continua sendo um mistério dentre os sintomas da COVID-19 (Imagem: Robina Weermeijer/Unsplash)
Névoa cerebral continua sendo um mistério dentre os sintomas da COVID-19 (Imagem: Robina Weermeijer/Unsplash)

Essa confusão mental, frequentemente chamada de névoa cerebral, tornou-se um dos vários sintomas de recuperação da COVID-19 relatados. E embora os pacientes frequentemente fiquem alarmados e frustrados por não poderem retomar suas vidas normalmente, os médicos dizem que isso não é particularmente surpreendente. “Encontramos névoa cerebral e fadiga mental comumente após a infecção. Temos experiência com isso”, conta Marie Grill, neurologista da Clínica Mayo, em entrevista à Wired. Ela afirma que isso geralmente ocorre após outras infecções.

Mas ainda há muitas perguntas sobre o que causa o sintoma, quem ele afeta mais e como tratá-lo. “Não temos toda a história. O que não sabemos é provavelmente muito maior do que o que nós já conhecemos", lamenta Adam Kaplin, neuropsiquiatra da Universidade Johns Hopkins.

O que se sabe sobre a névoa cerebral até agora?

Até o momento, é sabido que os pacientes descrevem um conjunto de sintomas muito semelhante. Eles dizem que seus cérebros funcionam mais lentamente. Eles não conseguem captar informações em uma conversa com a mesma facilidade com que costumavam fazer e lutam com a memória de curto prazo: vão caminhar até a cozinha, por exemplo, e esquecem o que estavam procurando, e levam mais tempo para fazer as coisas, muitas vezes se sentindo confusos e oprimidos. Alguns pacientes lutam para voltar ao trabalho ou à escola.

A névoa cerebral pode parecer alarmante, mas na verdade não é incomum para pessoas que foram hospitalizadas ou intubadas recentemente. Segundo Kaplin, o simples fato de estar na UTI tem efeitos no cérebro, e existem várias razões pelas quais o cérebro pode ser tão afetado por uma doença grave, como o fato de que o cérebro é altamente dependente e sensível a outros sistemas do corpo porque não possui depósitos de gordura próprios.

Em vez disso, o cérebro precisa do coração e dos pulmões para bombear um fluxo constante de sangue oxigenado e rico em glicose para abastecê-lo. Se os pulmões ou o coração não estiverem funcionando corretamente, isso afetará o que está acontecendo no cérebro também. Portanto, se um paciente apresentar sintomas comuns de COVID-19, como falta de ar, coágulos sanguíneos ou problemas cardíacos, que também foram associados ao novo coronavírus, existe a possibilidade de seu cérebro não estar funcionando da maneira normal.

Especialistas se preocupam com a névoa cerebral, sintoma mais misterioso da COVID-19 (Imagem: Anna Shvets/Pexels)
Especialistas se preocupam com a névoa cerebral, sintoma mais misterioso da COVID-19 (Imagem: Anna Shvets/Pexels)

Além disso, o coquetel de remédios que os médicos costumam usar para manter os pacientes que estão em ventilação na UTI e sedados também tem efeitos no cérebro. Mas alguns médicos dizem que nem todos os pacientes com queixa de névoa cerebral foram ventilados ou internados na UTI. Alguns nunca ficaram doentes o suficiente para sequer ir ao hospital.

Segundo os especialistas, pode ser que o próprio vírus SARS-CoV-2 esteja danificando os neurônios, ou pode ser que, quando o corpo produz uma resposta imunológica ao vírus, essa inflamação também prejudique o funcionamento do cérebro. Existem outros efeitos neurológicos documentados relacionados à COVID-19, embora os cientistas ainda não entendam como o vírus afeta o sistema nervoso central. Os pacientes relataram uma grande variedade de outros sintomas, incluindo formigamento, convulsões, tontura e confusão.

Outra possível explicação poderia ser que, conforme os sobreviventes se recuperam, eles ainda podem estar exaustos de lutar contra a infecção ou ter ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático. Os cientistas não sabem quanto tempo essas mudanças cognitivas durarão em pacientes com COVID-19, nem se terão um efeito duradouro na função cerebral. Enquanto os pesquisadores estudam o que mais pode explicar os problemas de memória relacionados à COVID-19, os médicos estão empregando técnicas para tratar outros problemas cognitivos, como derrame ou lesão cerebral traumática. Os especialistas recomendam que as pessoas façam uma dieta mediterrânea saudável, durmam bastante e encontrem algum tipo de atividade que exercite o cérebro — e claro, que seja prazerosa.

Fonte: Canaltech

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