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Não teremos mais ajustes no relógio até o ano 2135. O que isso significa?

A partir de 2035, os segundos bissextos estarão suspensos e, talvez, nunca mais voltem. Esse pequeno ajuste na contagem do tempo pode não parecer muito importante, mas faz toda a diferença para nosso mundo cada vez mais dependente de computadores. Como ficaremos agora?

Cientistas e representantes de vários países tomaram essa decisão em uma conferência na França, na última sexta-feira (18), para tentar solucionar um problema que se torna cada vez mais grave. E é bom que na próxima conferência, em 2026, os pesquisadores já tenham um plano para substituir os segundos bissextos.

O que são segundos bissextos?

O termo científico para esse ajuste é “segundo intercalar”, mas a analogia aos anos bissextos se tornou mais conhecida. Ele é adotado desde 1972 para tornar o tempo astronômico, que considera o dia como a passagem de 24 horas, baseado na rotação do planeta.

Quando os relógios atômicos surgiram, os cientistas tiveram que lidar com um fato: um dia não tem exatamente 24 horas. A diferença é de apenas milissegundos, mas com a passagem dos anos ela se acumularia até se tornar uma defasagem de muitas horas.

Além, disso, a contagem de tempo astronômico também não é tão confiável como pensávamos. A órbita da Lua e a rotação do Sol têm um papel fundamental nas forças de marés da Terra, ou seja, esses astros exercem gravidade e, com isso, a rotação do planeta é desacelerada.

Em cada "pedaço" da Terra, a influência da gravidade do Sol é diferente, assim como da Lua. Quanto mais próximo da Lua "pedaço" estiver, mais ele será atraído. Esse fenômeno é conhecido como forças de máres (Imagem: Reprodução/Vitold Muratov)
Em cada "pedaço" da Terra, a influência da gravidade do Sol é diferente, assim como da Lua. Quanto mais próximo da Lua "pedaço" estiver, mais ele será atraído. Esse fenômeno é conhecido como forças de máres (Imagem: Reprodução/Vitold Muratov)

A cada ano, as forças de maré aumentam a quantidade de tempo que leva para a Terra completar uma rotação completa. Novamente, é uma diferença de apenas alguns microssegundos por dia, mas eles se acumulam se não fizermos um ajuste nos nossos relógios.

Esses relógios nos fornecem algo chamado Tempo Atômico Internacional, medição da contagem do tempo usando informações de cerca de duzentos relógios atômicos em mais de 50 laboratórios nacionais de todo o mundo. O problema é que simplesmente ajustá-los eventualmente adicionando 1 segundo já não parece mais uma boa ideia.

Colapso à vista

Tudo funcionou muito bem entre 1972 e o advento dos computadores em rede, mas agora essa correção pode causar estragos enormes. Para os softwares e sistemas conectados, um segundo bissexto é uma mudança muito abrupta.

Em computadores, a contagem de tempo é algo medido por softwares que não foram feitos para “errar”. Cada minuto dura exatamente 60 segundos e cada segundo tem 1000 milésimos de segundos. Mudar 1 segundo em todos os sistemas conectados do mundo se tornou uma tarefa mais difícil do que poderíamos imaginar.

Qualquer mudança na contagem do Tempo Atômico Internacional deve ser, também, uma alteração simultânea em todos os computadores do mundo, pois muita tecnologia e operações críticas dependem de uma sincronização perfeita entre os relógios.

Um pequeno desajuste de 1 segundo — ou mesmo alguns milissegundos — entre os relógios pode impactar redes elétricas, sistemas de telecomunicações, sistemas financeiros, serviços de prevenção de colisões no transporte marítimo e na aviação, e muito mais. É algo que não queremos “pagar para ver”.

O assunto já está em pauta desde 2015, mas foi adiado pela União Internacional de Telecomunicações, que rege os segundos bissextos. Companhias como o Google e Meta, pressionaram para que o debate fosse levado adiante (afinal, elas sabem o quanto podem ser afetadas por uma “catástrofe do segundo bissexto”).

O primeiro relógio atômico, de 1955, baseado em césio 133. Hoje, os cientistas utilizam átomos de elementos ainda mais confiáveis (Imagem: Reprodução/National Physical Laboratory/Wikimedia Commons)
O primeiro relógio atômico, de 1955, baseado em césio 133. Hoje, os cientistas utilizam átomos de elementos ainda mais confiáveis (Imagem: Reprodução/National Physical Laboratory/Wikimedia Commons)

Finalmente, o debate nos levou à Reunião em Versalhes, França, onde o Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) pediu um prazo para a suspensão dos segundos bissextos, e o acordo foi aguardar até 2035. A partir dessa data, não haverá mais ajustes por 100 anos — ou para sempre.

Durante esse tempo sem anos bissextos, os cientistas esperam encontrar uma solução mais sustentável para manter o Tempo Atômico Internacional alinhado com o tempo baseado na rotação da Terra. No final desse prazo, será necessário adicionar apenas cerca de 1 minuto para corrigir tudo outra vez.

Mas será que isso é realmente necessário, nos dias de hoje? O segundo bissexto foi adotado para não haver uma discrepância muito grande entre o sistema UTC, que utiliza o Tempo Atômico Internacional, e o UT1, que usa o movimento da Terra. Talvez as próximas décadas nos mostrem que esse esforço não vale mais a pena.

Pode ser que, daqui a 100 anos, os pesquisadores concordem com uma abordagem ousada: abandonar totalmente a definição abstrata de tempo e adotar integralmente o tempo atômico — que é, indiscutivelmente, a medição mais precisa que conhecemos.

Outra possibilidade é continuar fazendo ajustes, mas com intervalos bem maiores, como será provavelmente feito em 2135. Até porque a rotação da Terra também pode acelerar, exigindo a remoção de tempo no relógio. Quem sabe até lá os softwares já consigam lidar bem melhor com esses ajustes?

Fonte: Canaltech

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