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'Não tenho medo de ser presa porque não cometi crime nenhum', afirma Flordelis em entrevista ao GLOBO

Carolina Heringer
·8 minuto de leitura

RIO - Enfrentando um processo disciplinar que pode culminar com a perda de seu mandato, e, consequentemente, levar à sua prisão, a deputada federal Flordelis dos Santos de Souza (PSD) afirma não ter medo de ir para trás das grades. Em entrevista ao GLOBO, a parlamentar, acusada pelo Ministério Público de ser mandante da morte do marido, afirma estar sendo injustiçada e faz novas revelações sobre caso. Flordelis relata ter descoberto que o marido, Anderson do Carmo, abusava sexualmente de outras pessoas na casa, além de sua filha biológica Simone dos Santos, sem revelar quem seriam as vítimas e nem detalhes do que teria ocorrido. A deputada ainda aponta Simone como verdadeira responsável por escrever mensagens atribuídas a ela, nas quais dizia que não podia se separar, pois escandalizaria a obra de Deus, e nas quais também chama o marido de traste.

Na última audiência do processo, Simone, que está presa e é acusada de envolvimento no crime, admitiu ter oferecido dinheiro para que uma das irmãs, Marzy, matassem Anderson e relatou ter sofridos investidas sexuais da vítima. No entanto, Simone diz não saber se a irmã de fato executou o plano. Marzy, em seu interrogatório, não corroborou as declarações da irmã. Para o MP, a confissão de Simone não foi suficiente para "livrar" Flordelis das acusações.

Na entrevista ao GLOBO concedida na última quinta-feira por videochamada, a deputada diz não acreditar não ter sido condenada pela opinião pública: "Há muitas pessoas que me apoiam e acreditam na minha inocência".

Advogado da família de Anderson do Carmo, Ângelo Máximo contesta as declarações de Flordelis de que o pastor teria abusado sexualmente de pessoas da família. Segundo ele, a deputada têm o objetivo de desconstruir a imagem do marido para “tentar se livrar da responsabilidade penal”.

— Flordelis está tentando destruir a imagem de alguém que não está aqui para se defender. Demonstra o caráter em tese criminoso em prol de destruir a imagem da vítima de um assassinato brutal cometido dentro da própria casa — afirmou.

A senhora é acusadade ser mandante da morte de seu marido. Ministério Público e polícia categoricamenteafirmam isso.

É uma acusação sem nenhum fundamento, sem nenhuma prova. É revoltante. Eu estou muito indignada por estar sendoacusada de algo que não fiz, por um crime que não cometi. Por isso pedi ajuda ainvestigadores de fora do país, porque vi coisas no processo que não deveriamestar ali, como depoimentos de anônimos, pessoa sem identidade, semCPF. Tentaram de todas as formas me incriminar. Não conseguindo, partiram paraa desconstrução da minha imagem como mulher, como pessoa, como pastora.Colocando no processo coisas que não deveriam estar contidas nele.

Como, por exemplo, oquê?

Minha ida à uma casa de swing há quase 20 anos atrás. Que eu não sou uma igreja, eu sou uma seita; que eu uso perucas. Eu me pergunto o que isso tem a ver com o crime. Isso nada mais é do que uma desconstrução de imagem para que eu seja incriminada pela sociedade? Para que eu seja sentenciada?

A senhora acha que jáfoi sentenciada pela sociedade?

Não. Assim como tem um grupo de pessoas que falam coisasdoídas, inverdades a meu respeito, há muitas pessoas que me apoiam e acreditam na minha inocência.

Em depoimento, sua filha Simone admitiu ter dado dinheiro para uma irmã matar o pastor. Depois do crime, vocês conviverampor mais de um ano. Em nenhum momento Simone te revelou nada sobre esse envolvimento dela com o crime?

Essa é uma pergunta que me faço todos os dias, mas logo apóso assassinato a Simone se mudou para Rio das Ostras. Ela vinha final de semanapara ficar comigo, às vezes de 15 em 15 dias. É o que eu também me perguntotodos os dias. Por que, diante de tanto sofrimento que passei, de acusações,isso não ter sido revelado há mais tempo?

O MP continua te apontando como mandante do crime. Ou seja, para o MP a confissão daSimone não foi suficiente.

Eu estou pagando, o foco principal sempre foi a Flordelis.Mas tenho muita fé de que tudo vai se esclarecer, vir à tona. É minha fé que mefala isso todos os dias. Estou encarando isso como posso. Com altos e baixos. Euter sido indiciada, estar como ré, considero uma grande injustiça. Porquenão há nada que prove que fui mandante do crime. Isso faz com que eu acredite muitopouco na Justiça.

Há mensagens noprocesso enviadas pela senhora para um de seus filhos, André, que para osinvestigadores foi uma prova muito importante. Para eles, mostrava seudescontentamento com o seu marido, o seu incômodo com ele. Isso não seria uma prova?

Não, na medida em que eu não escrevi essas mensagens. Não éprova, não me incrimina. Foram digitadas por outra pessoa. Já provei, já falei.Várias pessoas têm acesso ao meu celular, ele fica nas mãos de terceiros. Queroque provem. Eu não digitei aquelas mensagens.

Com quem o Andréestaria falando, então?

É muito triste falar isso, porque além de esposa eu sou mãe.Eu perdi meu marido, alguém que eu amava demais. Alguémmuito importante para mim. Naquela noite no Maracanã (quando algumas mensagensforam enviadas) eu não estava sozinha. Eu estava acompanhada da minhafilha, Simone, e infelizmente essas mensagens foram digitadas por ela.

Isso não foi faladoem seu interrogatório. Por que a senhora não falou isso?

Eu não tinha conhecimento disso ainda.

O delegado AllanDuarte, responsável por parte das investigações, chamou sua família de organização criminosa. Sua família virou umaquadrilha por ter planejado matar o Anderson?

De jeito nenhum. Quando uma pessoa de uma família erra, nãopode toda família pagar pelo erro dessa pessoa. Minha família não é uma organizaçãocriminosa. É uma família como outra qualquer, que teve problemas. O fato de filhos terem errado não pode manchar os outros filhos e nem a mim. Eunão posso estar pagando pelo erro dos outros.

Quem errou, deputada?

Eu quero ressaltar, antes disso, que antes de falar que minhafamília é uma organização criminosa, deveriam respeitar as crianças. Temcrianças no meio disso tudo, tem adolescentes. Isso é uma falta de respeitomuito grande com a minha família.

E quais foram os filhosque erraram?

As investigações têm que dar essa resposta. Sei que minha filha Simone já confessou, queminha filha Marzy teve participação. Infelizmente é muito duro. Está sendomuito difícil. Quando fiquei sabendo, foi um golpe. Eu amava meu marido e eleme tratava aparentemente muito bem, me fazendo me sentir uma mulher especial,uma esposa especial. Quando ele estava pregando na igreja e eu entrava, eleparava a pregação para dizer que a mulher mais linda do mundo estava entrando. ‘Amulher da minha vida está entrando e eu preciso parar de pregar para que ela possaentrar e sentar para me ouvir”, ele dizia. Eu também achava isso, mas temargumentos e provas suficientes para mostrar que a minha filha não está mentindo. Ela vinhafazendo isso por amor a mim, se sacrificando. Houve o abuso, houve o assédio.

Durante a audiência, Simone disse que sofreu investidas sexuais do pastor. Eposteriormente, na imprensa, a advogada da Simone disse que ela tinha sofridoabusos. Mas isso não foi falado pela Simone. O que realmente aconteceu?

Eu não estive com a minha filha. Estou impedida de tercontato com os meus filhos. Mas os relatos que chegaram ao meu conhecimento sãode que não houve só assédio, mas também abusos sexuais, inclusive durante operíodo em que ela estava doente, com câncer. Já houve um relato pela mídia,isso foi notório, não sei se foi dito em depoimento pela minha filha, de quehouve ejaculação no dia que ela tinha acabado de chegar de uma sessão dequimioterapia. Ela estava dormindo quando sentiu algo caindo em cima dela equando abriu os olhos, meu marido estava se masturbando em cima dela.

No interrogatório, a Simone fala damasturbação, mas não diz que houve ejaculação.

Isso para mim foi..lidar com essa informação está sendomuito difícil. Meu marido, depois de Deus, era a pessoa mais importante daminha vida. E algo que envolve minha filha me coloca nas mãos uma culpa quecarrego, uma culpa muito grande. Acho que vou carregar pro resto da minha vida.É a culpa de não ter visto. Eu amei tanto meu marido que esse amor me cegou aponto de não enxergar o que estava acontecendo com a minha filha.

A Simone fez essaconfissão para tentar te proteger? Ela pode ter feito isso por amor a mãe?

Pelo contrário, de forma alguma. O queela está fazendo e tentando o tempo todo fazer é proteger outra pessoa e não amim.

Quem ela quer proteger?

Olha, eu ainda não sei ao certo, mas é algo que a gente estáapurando para não falar de forma leviana, não quero ser leviana nas minhas declarações.Eu gosto de falar de coisas que tenho convicção. Mas já tem relatos de que essesabusos não foram só com a minha filha.

A senhora costuma falar que hoje viveem uma situação financeira difícil.

Bastante. Decidi pagar as dívidas das igrejas, que erammuito grandes, antes de entregar os templos. Porque nós sempre mantivemos olema ‘sofro eu, mas não sofra a obra’. Quando eu consegui dar conta dasituação, depois de alguns meses, as igrejas estavam muito endividadas, então eu tiveque entregar os templos. Fiquei apenas com um (a sede, no Colubandê). Antes de entregar decidi pagar algumasdívidas, não consegui pagar todas. Eu peguei empréstimo no bando do Brasil deBrasília na Câmara. Hoje sobrevivo com metade do meu salário comoparlamentar.

Caso não seja cassada, a senhora pretende se candidatar e tentar a reeleição?

É uma coisa que estou avaliando. Eu fui colocada nessecargo por Deus. Trabalhei muito para conquistar o meu mandato. Não esperava ter a quantidade de votos com que ganhei, ser a quinta maisvotada do estado do Rio. Fiquei muito feliz pela conquista. Trabalhei demais e não fiz, por causa do ocorrido, o que pretendiafazer pelo povo do meu estado. Infelizmente, por causa da situação que estouvivendo. Então é algo que ainda estou avaliando.

A senhora tem medo de ser presa?

Não tenho medo de ser presa porque não cometi crimenenhum.