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'Não queremos a chinesada entrando no Brasil', diz Guedes

*ARQUIVO* SAO PAULOS/ SP, BRASIL, 23-08-2022: O ministro Paulo guedes e o presidente Jair Bolsonaro participa da abertura do Congresso Aço Brasil no (Hotel Unique (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULOS/ SP, BRASIL, 23-08-2022: O ministro Paulo guedes e o presidente Jair Bolsonaro participa da abertura do Congresso Aço Brasil no (Hotel Unique (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu nesta sexta-feira (26) a abertura da economia, mas disse que o governo não vai "botar a 'chinesada' para pegar nossa indústria" e que as empresas brasileiras precisam estar fortes para serem competitivas.

"O empresariado brasileiro tem uma bola de ferro na perna direita, que são juros muito altos, uma bola de ferra na perna esquerda, que são impostos muito altos, você bota um piano nas costas dele, que são os encargos trabalhistas, e fala: 'corre que o chinês vai te pegar'", disse.

"Não queremos a 'chinesada' entrando aqui quebrando nossas fábricas, nossas indústrias, de jeito nenhum. O que queremos é uma coisa moderada. Baixamos o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em 35%, vamos acabar com o IPI", continuou.

Guedes voltou a chamar o IPI de "imposto de desindustrialização em massa". "É ridículo, é patético, está errado. É um imposto pago antes de ter renda", criticou.

Na quarta-feira (24), o governo publicou um decreto em que blinda os bens fabricados na Zona Franca de Manaus de redução de IPI, com objetivo de destravar um corte de 35% em aproximadamente 4.000 produtos fabricados em outras regiões do país.

Guedes também afirmou que o Banco Central "cochilou um pouquinho" no combate à inflação e só elevou os juros antes das demais autoridades monetárias porque foi sacudido pelo governo.

"Todo mundo dormiu ao volante, o nosso [Banco Central] foi o primeiro a acordar, cochilou um pouquinho também, mas foi o primeiro a acordar porque nós sacudimos. Você é independente. Acorda, pô. Você é independente. Na mesma hora, começou a subir [os juros]", disse Guedes em evento com empresários do agronegócio no Rio Grande do Sul.

No início de agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e disse que avaliará a necessidade de uma nova alta de menor magnitude no próximo encontro, em setembro.

O chefe da pasta econômica disse esperar ver redução da Selic logo após a virada do ano. Segundo ele, os juros altos estão segurando o crescimento do país em 2022. "O Brasil já estaria crescendo 4% neste ano. Como o juro está bem alto para frear a inflação, está crescendo 'só' 2,5%", afirmou.

Para 2023, a expectativa de Guedes é que o avanço seja maior. "No ano que vem, como a inflação já cai neste ano e no ano que vem cai de novo, o juro começa a descer, [o Brasil] vai crescer mais de 2,5%, vai ser 3%, vai ser 3,5%. Vamos crescer mais ainda."