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'Não precisa vir com grosseria', diz Barroso a Gilmar, que responde: 'Vossa excelência perdeu'

André de Souza e Renata Mariz
·2 minuto de leitura

Após um período de trégua, os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso voltaram a bater boca no Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, porém, a discussão não foi presencial, mas por videoconferência. A briga levou o presidente da Corte, Luiz Fux, a suspender a sessão que analisava a manutenção da decisão que declarou o ex-juiz Sergio Moro parcial no processo do tríplex do Guarujá (SP), em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ser condenado.

Gilmar argumentou que o processo da suspeição estava no gabinete dele, não cabendo ao ministro Edson Fachin tentar adiar o julgamento. Barroso tentou argumentar a favor de Fachin, e Gilmar reagiu exaltado.

— Também quero aprender essa fórmula processual.

— A fórmula processual é se os dois órgãos têm o mesmo nível hierárquico, um não pode atropelar o outro — respondeu Barroso, que ainda afirmou:

— Estou argumentando juridicamente. Não precisa vir com grosseria.

Gilmar reagiu fazendo referência a Moro, apelidado por procuradores da Lava-Jato de "Russo".

— Talvez isso exista no código do Russo. Aqui não — disse Gilmar.

— Existe no Código do bom senso. O respeito as outros. Se um colega acha uma coisa e outro acha outra, é um terceiro que tem que decidir — respondeu Barroso.

Ele ainda criticou o fato de Gilmar ter ficado dois anos sem devolver o caso para análise da Segunda Turma, só fazendo isso depois que Fachin, em outra decisão, anulou as decisões tomadas nos processos de Lula na Lava-Jato. Com isso, Fachin tentou acabar com o julgamento da suspeição, mas não conseguiu.

— Vossa Excelência sentou na vista durante dois anos e depois se acha no direito de depois ditar regra para os outros — disse Barroso.

Gilmar criticou ainda o "moralismo" de Barroso. Os dois continuaram discutindo e Fux resolveu suspender a sessão. Mas foi possível ouvir Gilmar fazer uma referência ao placar do julgamento desta quinta, em que sete ministros já votaram para manter a suspeição, e apenas dois, entre eles Barroso, foram contra.

— Vossa excelência perdeu — disse Gilmar ao colega.