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Não pensamos em queda de juros neste momento, pensamos em convergir a inflação, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) -O Banco Central não pensa em queda de juros neste momento, pensa em convergir a inflação, disse nesta segunda-feira o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, ressaltando que situação inspira cuidados e que a batalha contra a alta de preços no país não está ganha.

Campos Neto destacou que grande parte do efeito positivo observado recentemente nos dados de inflação é fruto de medidas do governo, reforçando que a atual estratégia do Banco Central permanece igual à apresentada em agosto pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de que seguirá vigilante e analisará um possível ajuste final na taxa Selic neste mês.

Segundo ele, o BC "continua navegando em um ambiente de alta incerteza", citando questões ainda em aberto envolvendo políticas do governo, como a fonte de financiamento para o Auxílio Brasil turbinado em 2023 e a continuidade das desonerações sobre combustíveis.

"A gente tem comunicado que a gente não olha, não pensa em queda de juros neste momento. A gente pensa em finalizar o trabalho. Finalizar o trabalho significa convergir a inflação", disse em evento promovido pelo jornal Valor Econômico.

O presidente do BC afirmou que a inflação acumulada em 12 meses atingiu o pico no Brasil e começou a melhorar, impactada pelas medidas de cortes de tributos, acrescentando que o recuo de preços também gera efeito benigno na inércia para 2023. Ele ponderou que ainda não é possível comemorar e mencionou preocupação com a inflação relacionada ao setor de serviços.

"Ainda tem elementos de preocupação grande e a mensagem é que a gente precisa combater esse processo entendendo que a gente vai passar por três meses de deflação, muito provavelmente, mas que a batalha não está ganha", afirmou.

Em agosto, o BC aumentou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e indicou estar perto do fim do agressivo ciclo de aperto monetário para controlar a inflação no país.

Campos Neto ainda disse que o Copom precisará se debruçar sobre dados do mercado de trabalho no país, que tem registrado surpresas positivas, com possível redução do espaço para expansão sem gerar pressões inflacionárias. Ele afirmou que há mudanças estruturais em relação à mão de obra no mundo e que há preocupação em saber se esse movimento está ocorrendo no Brasil.

Na apresentação, o presidente do BC voltou a dizer que mercado tem entendimento de que o trabalho da autoridade monetária no manejo da taxa de juros para controlar a inflação "basicamente já está feito", já esperando uma queda de juros à frente.

PIB EM ALTA

Em sua primeira declaração pública após a divulgação do resultado do PIB do segundo trimestre, Campos Neto disse que a alta de 1,2% na atividade em relação aos três meses anteriores foi uma surpresa, com dados fortes em investimentos e consumo das famílias "que a gente não imaginava".

O presidente do BC afirmou que apenas com o efeito carregamento do primeiro semestre, o PIB brasileiro terá alta de 2,6% neste ano mesmo se a atividade não crescer nos dois últimos trimestres. "A gente ainda acredita que vamos ver revisões para cima de crescimento", disse.

Na semana passada, antes do resultado do segundo trimestre, ele já havia afirmado que a autoridade monetária revisará sua projeção de crescimento do PIB em 2022 para "um pouco acima de 2%". A estimativa atual do órgão, divulgada em junho, aponta alta de 1,7%.

Campos Neto ressaltou que o Brasil é exceção em um mundo com países revisando suas projeções de crescimento para baixo.

O presidente do BC voltou a demonstrar preocupação com um possível cenário em que o mundo entra em desaceleração econômica e a inflação global demora a ceder. Segungo ele, esse cenário provocaria uma reprecificação de ativos globais.

Ao mencionar a oportunidade para o Brasil diante da reconfiguração das cadeias globais de valor, Campos Neto disse que "é importante a gente ter uma estabilização política e institucional" para que os fluxos de capital cheguem ao país.

(Por Bernardo Caram; edição de José de Castro)