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Não há vencedor em guerra comercial, dizem líderes de tecnologia

Shelly Banjo

Líderes do setor de tecnologia na Ásia alertam que os riscos da guerra comercial estão aumentando, o que acelera a fragmentação da indústria global e ameaça a cooperação em importantes áreas de pesquisa.

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China e Estados Unidos anunciaram que vão realizar negociações presenciais nas próximas semanas, mas as perspectivas de uma rápida resolução do conflito comercial parecem reduzidas.

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Algumas empresas de tecnologia observam queda das vendas e menor vantagem competitiva, o que tem provocado mudanças radicais nas cadeias de fornecimento. Essa fragmentação pode agora se estender a outras áreas, em campos fundamentais como inteligência artificial, liderado por ambas superpotências globais.

"O risco da tensão que vemos entre EUA e China - as duas maiores economias - é que podemos acabar com uma economia global fragmentada e com cadeias de fornecimento fraturadas", disse o ministro de Comunicações e Informação de Cingapura, S. Iswaran. "Essa cadeia de fornecimento e fragmentação também estão vinculadas a mercados, fluxos de investimento e cooperação em termos de tecnologia."

O ministro fez as declarações na conferência de tecnologia Sooner Than You Think, promovida pela Bloomberg em Cingapura na quinta-feira, um evento que contou com representantes de gigantes da tecnologia dos EUA como Microsoft, International Business Machines, bem como a pioneira chinesa em inteligência artificial SenseTime.

As atuais tensões comerciais têm sido particularmente difíceis para empresas de tecnologia nos EUA e na China. As tarifas atrapalham o fechamento de negócios, prejudicando a competitividade de companhias americanas na China. Tarifas dos EUA de aproximadamente US$ 110 bilhões sobre importações da China entraram em vigor no início do mês, levando a uma retaliação de Pequim.

Em maio, Washington incluiu a Huawei Technologies em uma lista de entidades que limitou a capacidade da gigante de tecnologia chinesa de vender equipamentos nos EUA e a proibiu de comprar componentes de fornecedores dos EUA. A medida também é um golpe para fornecedores americanos, cuja participação de mercado tem diminuído por causa das menores oportunidades de vendas na China.

“Acho que as questões EUA-China são mais do que questões de guerra comercial. Fundamentalmente, são questões de tecnologia. Eu acho que 5G e IOT (internet das coisas) são importantes porque, não apenas do ponto de vista econômico, mas também do militar, o domínio dessas tecnologias é um divisor de águas, então acho que isso é uma fonte de tensão”, disse Piyush Gupta, CEO do DBS Group Holdings, à Bloomberg TV.

"Continuamos a pressionar pelo livre comércio", disse Harriet Green, CEO da IBM Asia Pacific, acrescentando que seus negócios dependem do movimento de tecnologia e de pessoas. O comércio global aberto também é importante no desenvolvimento do futuro das tecnologias de inteligência artificial, nuvem e blockchain, segundo a executiva.

A desconexão é particularmente aguda em tecnologias emergentes, onde uma disputa pela liderança em áreas como inteligência artificial e computação avançada alimenta as tensões comerciais EUA-China. Essa disputa despertou o receio de um retrocesso na colaboração global e pedidos de mais cooperação, e não menos.

"Acho que, no final, ninguém vence uma guerra comercial", disse David Kenny, CEO da empresa de classificação e rastreamento de consumidores Nielsen, que opera em mais de 100 países. "A incerteza faz com que os níveis de investimento caiam."

Ele disse que os modelos de inteligência artificial melhoram com mais dados globais e, sem a capacidade de compartilhar dados entre fronteiras, os algoritmos se tornam menos eficazes. "Os que compartilham globalmente vão vencer as iniciativas de qualquer país", disse Kenny.