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Não há comprovação de que taxar refrigerante reduz obesidade, diz Abir

Cibelle Bouças

Em comunicado, a associação das indústrias do setor também disse que rejeita qualquer aumento da carga tributária no Brasil O refrigerante não é o vilão da obesidade no Brasil, afirmou nesta sexta-feira a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), que reúne 58 empresas de bebidas incluindo gigantes como Coca-Cola, Ambev e Heineken.

Em comunicado, a entidade alegou que não existem dados científicos que comprovem a eficácia da taxação de bebidas açucaradas – como propôs na quinta-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes – para o combate à obesidade.

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A Abir observou que a pesquisa anual do Ministério da Saúde sobre obesidade (Vigitel), divulgada no ano passado, apontou uma redução de 53,4% no consumo regular de refrigerantes e bebidas açucaradas de 2007 a 2018. Nesse mesmo período, o país atingiu o maior índice de obesidade nos últimos 13 anos, com aumento de 67,8% entre 2006 e 2018.

Carla Gottgens/Bloomberg

“Portanto, o refrigerante não é o vilão da obesidade no país”, concluiu a entidade, acrescentando que apoia integralmente a manifestação do presidente Jair Bolsonaro, que nesta sexta-feira afirmou que “não tem como aumentar a carga tributária do Brasil”.

De acordo com a Abir, o setor de bebidas não alcoólicas no país tem a maior carga tributária da América Latina – 36,9% do preço de comercialização são impostos.

A entidade também argumentou que mais impostos não reduzem o consumo. Entre as ações com menor custo e maior efetividade no combate à obesidade estão investimentos em educação, incentivo às práticas esportivas e a programas de manutenção de peso, disse.

A Abir informou que a indústria tem buscado oferecer opções em menores porções, com teores menores ou sem açúcar. Há um ano, assinou, um acordo voluntário com o Ministério da Saúde, juntamente outras associações setoriais de alimentos, comprometendo-se a reduzir o açúcar dos seus produtos até 2022.