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'Não existe liberalismo sem democracia e Estado de Direito', diz presidente da Fiesp

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*** FOTO DE ARQUIVO *** SÃO PAULO, SP, 21.11.2013: Josué Gomes, empresário e filho de José Alencar, ex-vice-presidente da república, durante entrevista sobre sua filiação ao partido político PMDB, em São Paulo (SP). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*** FOTO DE ARQUIVO *** SÃO PAULO, SP, 21.11.2013: Josué Gomes, empresário e filho de José Alencar, ex-vice-presidente da república, durante entrevista sobre sua filiação ao partido político PMDB, em São Paulo (SP). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "É natural que a Fiesp assine um manifesto em defesa da democracia, já que não existe liberalismo, economia de mercado ou propriedade privada, valores tão caros à entidade e ao setor industrial, sem que exista segurança jurídica, cujo pilar essencial é a democracia e o Estado de Direito", disse à reportagem o empresário Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em rara entrevista.

A entidade publica nesta sexta-feira (5) seu manifesto "Em defesa da Democracia e da Justiça" em anúncios nos principais jornais do país.

Subscrevem o texto 107 entidades, entre elas a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Câmara Americana de Comércio, a Fecomercio e o Sindusfarma, além de figuras como o ex-presidente Michel Temer, o jurista conservador Miguel Reale Junior, o ex-presidente da Fiesp, Luis Eulálio de Bueno Vidigal Filho e o atual presidente do banco Bradesco, Octavio de Lazari Júnior.

No manifesto, as entidades defendem o respeito ao voto popular na eleição presidencial, a harmonia entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e defendem o STF (Supremo Tribunal Federal), "guardião último da Constituição", e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), "que tem conduzido com plena segurança, eficiência e integridade nossas eleições respeitadas internacionalmente".

"Não deveríamos estar discutindo, a esta altura do campeonato, a urna eletrônica, e sim uma agenda para o país, como fomentar o desenvolvimento", disse Josué à reportagem. "Não há como ignorarmos a insegurança criada pela contestação da confiabilidade do sistema eleitoral e do Judiciário."

O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem atacado seguidamente o STF e o TSE e afirmado, sem provas, que o sistema eleitoral foi fraudado e que não é auditável. Ele não se compromete a aceitar o resultado da eleição.

Em sua live na semana passada, Bolsonaro criticou Josué e o manifesto, que classificou de "nota política em ano eleitoral". O presidente disse que o texto defende "um ladrão" e referiu-se ao fato de Josué ser filho do vice do ex-presidente Lula (PT), José Alencar (1931-2011).

"Temos que defender o que é central para a democracia, o processo eleitoral, que, ainda mais no Brasil, é um processo seguro, já amplamente demonstrado, e que tem feito eleições desde 1996 com sucesso e sem questionamento", disse Josué.

O empresário menciona a tradição nos Estados Unidos de o candidato derrotado ligar para o vencedor, logo após os resultados, para fazer a "concessão".

"E quando isso não ocorreu, acabamos vendo cenas lamentáveis como 6 de janeiro. Nós não podemos aceitar que um 6 de janeiro aconteça no Brasil", disse, referindo-se ao fato de o ex-presidente americano Donald Trump não ter aceitado a derrota para o democrata Joe Biden na eleição de 2020.

Estimulada por Trump, uma multidão invadiu o Capitólio em 6 de janeiro de 2021 para contestar o resultado da eleição, e o tumulto deixou cinco mortos.

PRESIDENTE DA FIESP NEGA QUE MANIFESTO SEJA PARTIDÁRIO OU QUE DEFENDA LULA

Josué nega que o manifesto seja partidário ou em defesa do ex-presidente Lula.

"Nosso manifesto nada tem de partidário, ele defende um valor que atende os interesses tanto da direita quanto da esquerda, a direita pode ganhar a eleição, e se vier a ser questionada?", diz. "É apartidário, isso está mais do que demonstrado pelo arco de pessoas que assinaram."

Todos os candidatos serão convidados a assinar o manifesto, diz Josué. Bolsonaro já disse que não irá assinar.

O presidente suspendeu encontros que teria com empresários em São Paulo no dia 11 de agosto, entre eles a ida à Fiesp para discutir propostas para a indústria. A entidade já ouviu os candidatos Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT) e Luis Felipe Dávila (Novo). Os três assinaram o manifesto da Fiesp. O ex-presidente Lula deve ir à entidade no dia 9.

Josué enviou um ofício para a Presidência da República reiterando o convite para Bolsonaro ir à Fiesp.

"Gostaríamos de ouvi-lo expor suas ideias para nossos associados, e discutir a agenda do setor produtivo. Queremos conversar com todos os candidatos", diz Josué.

A Fiesp lançará oficialmente o manifesto das entidades no dia 11. Na mesma data, empresários e integrantes da sociedade civil lançarão uma carta em defesa do Estado Democrático de Direito na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco.

O documento já conta com o apoio de mais de 740 mil pessoas, dentre elas os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, e Candido Bracher, ex-presidente da instituição financeira e hoje também integrante de seu conselho.

Entre os signatários do manifesto empresarial, além das entidades, estão Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central; o ex-ministro do STJ Cesar Asfor Rocha, Celso Campilongo, diretor da faculdade de Direito da USP e idealizador do manifesto da sociedade civil, Antonio Machado de Barros, presidente do Instituto Talento Brasil, o apresentador Luciano Huck, o presidente da Natura, Fabio Barbosa; o presidente do conselho do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, a socióloga Neca Setúbal, acionista do grupo Itaú, Oscar Vilhena, Professor da FGV Direito, Pedro Wongtschowski, Presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp, Maria Herminia Tavares de Almeida, pesquisadora do Cebrap, e sindicatos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical.

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